APRESENTAÇÃO


Quem sou eu? É a pergunta que surge durante uma crise existencial. Quem, ou qual é a origem deste desejo de conhecer-se a si mesmo? O ato de vontade é, em princípio, voluntário, isto é, aquele em que o indivíduo tem consciência dos meios e das finalidades de sua conduta; o indivíduo procura atingir um objetivo por ele mesmo proposto, tendo consciência dessa tentativa.

 Neste caso, o ato de agir tem uma origem, uma causa inconsciente. Este ato de vontade não tem origem no “eu” formado pela percepção que forma a consciência de si mesmo. Ele tem origem naquelas forças profundas e involuntárias que governam a vida: os instintos.

Por que?

De alguma forma inconsciente a minha primeira busca foi pelo “pai”. Foi instintivo. Eu procurava uma resposta sem saber onde encontrá-la. Uma caminhada na escuridão, no desconhecido que tem como única motivação a vontade de chegar. O caminho vai sendo construído durante a caminhada. “A Casa do Meu Pai” é o local de chegada, de descanso, paz, liberdade e harmonia.

Somente mais tarde fui perceber que o “pai” que eu buscava era Deus. Durante a caminhada fui coletando percepções registradas num diário que organizei sob a forma de livro.


Romeu Pitz


A COMUNICAÇÃO

O amor ou a simpatia é a sintonia num determinado nível de vibração emocional. A disponibilidade e a receptividade criam o diálogo e ativam a troca de energias. Isto pode ocorrer entre duas pessoas, entre um grupo de pessoas ou de um grupo com o seu líder.
A comunicação é fácil quando dizemos o que as pessoas querem ouvir, é a técnica dos políticos. A dificuldade de comunicação surge quando queremos transmitir algo novo e diferente, algo que foge do cotidiano, da relações normais entre as pessoas, do seu condicionamento psicológico. Afinal, para idéias novas exige-se esforço, dedicação e tempo, principalmente, quando essas idéias se relacionam a autos de fé, de crenças, de algo enraizado profundamente no consciente e no inconsciente da pessoa. Observamos que muitos têm verdadeiros escudos, barreiras mentais e emocionais que bloqueiam qualquer esforço no sentido de aceitar algo novo. O condicionamento psicológico, na maioria das pessoas, rechaça qualquer tentativa de aceitar algo que possa interferir no seu convencimento pessoal. A abertura mental e emocional, a curiosidade ao novo, ao diferente, é uma qualidade que poucas pessoas tem ou alimentam. O novo ou o diferente quando apresentado no nosso mundo exterior, material sempre é bem-vindo e aplaudido. Quando refere-se ao mundo interior a situação muda. As nossas convicções, a nossa crença, a nossa fé e os nossos valores morais representam a nossa segurança psicológica. Muitas pessoas sentem um verdadeiro pavor, sentem-se extremamente inseguras quando são levadas a rever, a reavaliar o seu mundo interior. Outras, simplesmente nem admitem que se fale do assunto. São peculiaridades que devemos respeitar. Abrir o coração ao novo, entretanto, é evolução.


O INÍCIO

Nem todos vivenciam de maneira consciente as mudanças psíquicas que ocorrem após a meia idade, ou mais especificamente, no período de vida que se inicia entre os 35 e os 40 anos.
Alguns, gradativamente, se adaptam a uma outra perspectiva de vida e, dificilmente, se dão conta das mudanças internas, e vivem este período sem maiores dificuldades. Outros, passam por uma crise existencial, com questionamentos sobre o significado da vida e o propósito de suas atividades. Há duas situações extremas neste processo, embora a maioria das pessoas se situe numa posição intermediária. É verdade também, que cada um vivencia de maneira particular e única, cada uma das etapas da evolução. Num dos extremos, estão aqueles que tem certeza de que se conduzem corretamente através da vida, e que tem ideais e princípios corretos. Estão certos de que estas convicções pessoais devem ter aplicação geral. A rigidez de idéias com referência a si mesmos e aos outros, e a tendência a encará-las como incontestáveis, apesar de todo o processo evolutivo do universo, podem levar a um padrão quase inflexível de pensamento e comportamento. Estas pessoas até toleram outras opiniões, mas consideram-se os senhores da verdade.
No outro extremo estão os que entram num período conturbado de sentimentos e ansiedade indefinidos. Um novo sentimento de tensão relativo a sua própria personalidade dará uma sensação de insatisfação, de vazio e de não-preenchimento. Sofrem terrivelmente sem que saibam porque e entram numa crise existencial, definida por Jung como paixão da alma (passio animi). É o processo de evolução, para uma consciência mais ampla e profunda.
Se acontece inconscientemente, projeta-se “em símbolos coletivos, em mitos, religiões, filosofias, através dos quais, aqueles que a eles aderem, recebem uma certa animação. Mas então, o fim da evolução fica tão obscuro quanto seu princípio”.
Quando o processo é consciente, “tantas obscuridades são iluminadas, que de um lado, toda a personalidade fica iluminada e de outro, o consciente ganha, infalivelmente, uma amplitude e profundidade.”(C. G. Jung).

AJUDAR, PARA QUE?


Este tema é explosivo e muitos preferem não se expor porque dificilmente serão compreendidos. Mas eu entendo que é uma oportunidade para reflexão.
Eu sei que nem todos aceitam porque ainda não comprovaram pessoalmente a ampliação da consciência que Saramago chama de “desenvolvimento moral”. Parece-me que as religiões organizadas também não a aceitam (recebi inclusive um e-mail agressivo de um religioso em que ele afirma que a lei da evolução somente se aplica aos bichos (sic)). Para quem ainda não consegue comprovar pessoalmente a “evolução” da consciência obviamente que as minhas afirmações são um absurdo, uma heresia, afinal a compaixão é a base das religiões cristãs. “Ama o teu próximo como a ti mesmo” passou a ser um lema com interpretação literal. Esotericamente, espiritualmente, a palavra “amor” tem um sentido de ser. Este “amor” está além da paixão e do sentimento. Este “amor” é um estado de espírito, de unidade com o todo. A compaixão não é uma qualidade do espírito porque ela está ligada ao nosso corpo emocional.
Cada pessoa pode dar uma interpretação pessoal à história do lavrador e de sua vaquinha, mas, para mim, ela tem um profundo simbolismo. Este conto deve ser analisado sob o amplo aspecto do ter e do ser e, acima de tudo, sob a lei da “evolução”. Este conto insere-se nos ditos populares de que “há males que vem para o bem” e “Deus escreve certo por linhas tortas”.
A vida é luta. No mundo animal quando o ser se acomoda ou não consegue adaptar-se ao meio ele será eliminado porque somente os mais aptos vão sobreviver. Para o homem será diferente? Para que o homem tem tamanha inteligência? O que é inteligência senão a capacidade de adaptar-se para sobreviver? O que acontece com o homem acomodado, apático, “parado”, indiferente, lamentando-se de sua infelicidade, do seu destino cruel e esperando que os outros resolvam os problemas seus? Ele é apenas um sanguessuga, um parasita da sociedade (por favor, analisem com objetividade). Sim, ele precisa ser ajudado, não resta a menor dúvida. O homem tem esta capacidade de ajudar, de prestar solidariedade. Isto faz parte da nossa natureza, isto é o que de mais sagrado existe. Ajudar é despertar o outro para a sua realidade, é fazê-lo ver que somente poderá evoluir, em todos os sentidos, pelo esforço pessoal, pelo estudo e pelo trabalho. Dar-lhe a mão sim e, se necessário for, jogar a sua “vaquinha” no brejo para que ele desperte, saia do seu comodismo, da sua preguiça. Não é por acaso que a preguiça está relacionada entre os sete pecados capitais. O mundo não é injusto nem desumano. A lei cósmica, que alguns chamam de Deus, é de uma justiça absoluta. Tudo o que somos e temos é proporcional ao nosso mérito.
Observem que “o sábio” do conto representa a lei cósmica. Quantas vezes a nossa “vaquinha” foi para o brejo em acontecimentos trágicos que chamamos de destino. Foi naquela oportunidade que nós demos um salto, positivo ou negativo, na nossa vida. É nos momentos de crises, de dificuldades de toda ordem que somos chamados a fazer uso da nossa inteligência, da nossa capacidade criativa. Se não nos deixarmos abater pela apatia e pela preguiça iremos sobreviver ainda mais fortes para novos desafios que a vida nos irá trazer.
Por um lado existe a lei da cósmica da evolução: "Tudo é um eterno vir a ser". "Assim como o Universo, todos os seus elementos estão em expansão, em crescimento, em evolução, cada qual segundo a sua natureza atual. Mas todos os elementos do cosmos são regidos pelas mesmas leis, pois tudo tem origem
num único princípio criador do universo. O homem existe para crescer, evoluir, progredir, aperfeiçoar-se. Ele não pode parar. Quem pára morre porque se opõe à lei da evolução contínua que é infinitamente mais forte que
sua fragilidade de "elemento" cósmico." A dor motiva o ser humano a procurar saídas e nesta procura ele evolui. Isto é instintivo. Neste aspecto nós não somos diferentes dos outros animais.
Por outro lado se este ser não tem consciência e a capacidade natural de evoluir dificilmente uma "sacudidela" irá despertá-lo. Normalmente, estas
pessoas, orientadas por outros que se dizem espertos, acreditam que são uns injustiçados e se julgam no direito de continuar na sua porque os que tem mais tem a obrigação de mantê-los. Não são todos, obviamente. Se observarmos este quadro atentamente verificaremos que tudo acontece de acordo com uma lógica e justiça absolutas. Há pessoas incapazes de evoluir e nós não temos o poder de mudar este quadro. Podemos até tentar e ajudar, mas cada um desperta individualmente ou, talvez, nem desperte.


KARMA, ESCOLHAS E LIBERTAÇÃO


O Você não escolhe entre o Bem e Mal. Você não escolhe entre fazer o bem e o mal. A escolha é feita por uma força superior. Quem escolhe é o seu DNA. “O DNA determina a nossa estrutura física e as nossas características mentais. Ele é um composto orgânico cujas moléculas contém as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e que transmitem as suas características hereditárias.“ (Wikipédia) Esta minha afirmação contraria todo o condicionamento a que a pessoa (o Ego) é submetido por toda uma vida. Isto é, dependendo do nível de força do seu DNA, o condicionamento não funciona. Você pode arrepender-se e reparar a ação, se for possível. Esta ação de arrependimento, entretanto, também deve fazer parte do seu DNA. O destino não é senão o desenvolvimento de uma trajetória que é programada pelo DNA a cujo percurso estamos inexoravelmente ligados pela lei de causa e efeito. A mais profunda realidade da vida é que os acontecimentos que a constituem não ocorrem de forma desordenada e por acaso, antes estão logicamente ligados, para cada indivíduo, ao longo do fio de seu destino. A escolha de hoje está condicionada pelas escolhas que fiz durante toda a minha vida, na maioria das vezes, inconscientemente, isto é, não avaliando as repercussões e os desdobramentos futuros. Cada escolha, cada ato de vontade, cada satisfação de desejo é um fio que me amarra. Cada escolha que fiz representa um vínculo. De certa forma, sou prisioneiro das escolhas que fiz no passado. A questão passa a ser esta: como poderá uma pessoa libertar-se das cadeias forjadas pelo seu passado? Impossível. Na vida não se pode voltar, somente ir em frente ou isolar-se. Mas tentamos e podemos corrigi-las. (Revisto)

ACONTECEU

Ao olhar para o passado vejo a grande caminhada que já fiz. Na meia-idade, ao ver desmoronar todas as minhas verdades, todas as minhas certezas fui tomado por uma grande sensação de inutilidade, de injustiça, de humilhação, de ameaça à auto estima e à dignidade .
Por que?, como? Eu necessitava descobrir, experimentar e buscar a verdade.
Nesta pesquisa aprendi a usar a inteligência, trocar informações, observar e experimentar. Com o somatório de todas estas informações o campo da percepção, da consciência foi-se ampliando progressivamente. As emoções acompanham o processo provocando crises que pareciam intermináveis. Quando pensava ter encontrado a verdade, me rejubilava, para, logo após, em nova crise, verificar que havia encontrado apenas uma pequena faceta de algo muito maior. No sentido figurado, o cérebro assemelha-se a uma colméia cujas células aos poucos vão-se iluminando e expulsando a escuridão. Cada célula iluminada é uma nova realidade que se apresenta. Cada vez mais profundamente vou iluminando mais e mais cubículos, partículas de um todo que aos poucos, muito lentamente, vou descobrindo. Noite escura, silenciosa e sombria do inconsciente. “Onde estou? A cabeça dói... Não consigo pensar, raciocinar.... vai passar. A lama preta, viscosa me envolve, me cobre... Quero respirar, preciso de ar... Um lampejo. Quero sair daqui... uma saída, deve haver uma saída. Apenas lembranças. Medos... culpas... A cabeça dói. Estou só. A realidade, sim a realidade... Lama negra, as trevas, o silêncio e a solidão.”
Aos poucos as trevas se dissipam para voltarem novamente. Sei que não há um começo ou um fim, pois a vida é um círculo: quando penso que cheguei ao final da jornada verifico que estou recomeçando.
A minha crise existencial era um nó górdio.(Os profissionais da área desconhecem, ou fingem desconhecer e, no meu caso, a chamam de "neurose crônica"). Eu tinha a solução, mas a consciência estava fragmentada. Não era um quebra-cabeças comum em que aos poucos a mente vai juntando as peças e monta a figura. As peças deste estavam espalhadas e, olhando para elas, eu queria montar determinada figura. Este querer impedia que eu enxergasse o conjunto. Foi o querer que me colocou num labirinto em que eu não encontrava a saída. A mente hipnotizada não encontrava a solução. Parar de lutar, perder toda a esperança e deixar acontecer tomaram seu verdadeiro significado e despertei para a realidade. Isolei-me e aconteceu... o quebra-cabeças se montou.
Compreendi a seguinte o quebra-cabeças. A luta entre a minha consciência moral e os instintos era a origem desta crise. O fortalecimento do “eu”, livre de falsos valores, em harmonia com os instintos e a nova consciência moral representa o fim da luta interna. A harmonia não é inércia mas um constante estar em alerta e viver o aqui e o agora.

"Pois agir não é meramente brincar
um brinquedo doido, planejado.
Agir não é salto de angústia mortal
que nos dê o agora desejado.
Agir é viver sempre observando as coisas,
tudo que se passa ao nossa lado."
(Morten Nielsen)

"O tempo nos dá todas as respostas, se conseguirmos ser pacientes." (Hôgen) (25/8/98).

Todo o raciocínio, todo esforço para promover uma compreensão do “eu” parecia fadada ao insucesso. Como poderia o “eu” compreender-se a si mesmo? Foram tantas as informações acumuladas que o “eu” percorreu todos os arquivos da memória e experimentou todas as que assinalavam saídas existenciais. Na verdade, todo caminho tem saídas basta acreditar nele e é isto o que faz, inconscientemente, a maioria das pessoas. Eu trilhei muitos para ter a consciência, o direito de opção. O meu caminho é consciente, mesmo que seja o da “não escolha”. A luta travada entre os valores da consciência moral e os instintos, onde conheci o autêntico inferno de Dante, fortaleceu o verdadeiro eu. Agora, posso afirmar que “eu sou mais eu”.
No fluxo e refluxo da maré das energias cósmicas aos poucos estou encontrando as repostas para a minha existência. A dor e a desesperança fazem parte deste quadro. As trevas em que eu estava mergulhado e que habitavam os meus pesadelos estão dissipando-se aos poucos para dar lugar a uma luz suave que habita as minhas emoções, lembranças de criança, quando caminhava, sob lua cheia, na companhia do meu pai, pelas madrugadas do sertão. Esta luz está iluminando a minha mente e fazendo-me cada vez mais consciente de que este é o meu caminho. O caminho do profundo silêncio em harmonia com a alma universal.

COERÊNCIA E LIBERDADE

Sou uma pessoa totalmente aberta ao novo. Isto cria dificuldades porque as minhas convicções de ontem talvez já não sejam as de hoje e, provavelmente, serão diferentes amanhã. Vivi e vivo a vida tão intensamente, a meu modo, que a morte não me assusta. Os intensos desejos que tem origem no “id”, e não mais no “superego”, não servem de embaraço, porque, harmonizados, mantém o prazer de viver.

A FÉ

Eu acreditei num Deus todo-poderoso criador do céu e da terra e que controlava a minha vida. Esta era uma Verdade Absoluta. Hoje eu sinto que Deus não é um ser externo a mim e também não sou filho de Deus: eu sou um ponto de energia que vibra dentro da Alma Universal que é Deus; eu não sou Deus mas estou nele que é o Todo. Quando estou em harmonia comigo mesmo eu entro na mesma vibração da Alma Universal que é paz, harmonia e amor ( o que é diferente de felicidade, porque felicidade é emoção). Para chegar a esta consciência de Deus passei por diversas etapas e não posso afirmar que esta última seja a definitiva.
Eu aprendi na escola e na religião que, pela vontade de poder, eu podia subordinar os meus instintos à razão. Eu poderia ser um espírito tão perfeito e poderoso, que tanto no mundo físico como no espiritual os limites eram os meus sonhos: QUERER É PODER! Mas o Destino me aplicou lições tão duras e dolorosas que aprendi “na marra”. Agora sei que eu somente aprendo com os meus erros, isto é, pela experiência e que a vontade de poder é necessária para que eu perceba que a evolução (as forças inconscientes) é mais forte do que o meu falso eu (superego).

APEGO E EGOÍSMO

Aprendi que “amar o teu próximo como a ti mesmo” era a máxima da convivência social e o lema do cristianismo. Aprendi que Amar é fazer o bem ao próximo; é a paixão (atração física) entre duas pessoas; também é o amor a Deus, o amor paterno, fraterno e a amizade; como também o amor ao meu dinheiro, ao meu carro importado, etc.; assim como amor também é o sentimento de solidariedade, altruísmo, etc. Todos estes amores tem um elo comum: a dependência psicológica, ou seja, o apego. Dependência psicológica é uma qualidade do egoísmo. Conclusão, o amor que eu conheço é egoísta. Se todas as religiões tem o objetivo de suprimir o egoísmo, o “amar” a que se referia Jesus não é o amor que eu conheço.
Eu não sabia o que era egoísmo. Descobri-lo foi a etapa seguinte. Descobrir, perceber, ter consciência do que é egoísmo foi uma experiência muito forte.. Liberdade é amor e harmonia. Liberdade é estar livre dos conceitos de: amor e ódio; apego; escolha; dependência psicológica; vontade de poder; vida e morte; direitos e deveres; justiça e injustiça; certo e errado; Deus e Diabo; bem e mal; ter e ser; pecado e perdão; culpa e castigo; céu e inferno; felicidade e infelicidade; sofrimento e prazer; fé e esperança; ontem e amanhã; humildade e modéstia; pobreza e riqueza. Amor é Liberdade.
A minha consciência da realidade, da vida mudou radicalmente. Mas foram etapas progressivas. Esta mudança só foi possível através do esforço pessoal em estudos e pesquisas, usando as doutrinas de todos os mestres e sábios, indistintamente, para adaptá-las ao meu “eu verdadeiro”, dialogando com o outro (que muitas vezes me ajuda muitíssimo sem saber) e através da auto-observação. Entretanto, toda esta experiência é individual e como tal eu não posso transferi-la.

EROS E TANATOS - Nós não somos inocentes

Você conhece o ser humano? Homo sapiens, sapiens? “Existem sem dúvida espécimes isolados de homo sapiens, mas o grosso da humanidade é composto do tipo homo intelligens, ou até do homo sentiens, o homem sensitivo com ligeiro verniz de intelectualidade. A sapiência ou sabedoria é algo incomparavelmente superior à simples inteligência. A inteligência é analítica, indutiva, silogística ao passo que a sabedoria é sintética, dedutiva, panorâmica. O homem sapiente seria aquele homem racional, espiritual, o homem-crístico, o homem univérsico, que está latente no homem de hoje, porém, não desenvolvido”. (1)
Você conhece o ser humano?
O soldado valente, corajoso, destemido, que recebe o maior número de medalhas em combate por bravura é, geralmente, aquele que faz o que gosta; ele tem um grande prazer, ele se realiza naquilo que faz: matar o seu semelhante, o seu inimigo. Em tempo de paz ele seria um assassino. Na guerra da Coréia, um soldado americano, extremamente estressado, cansado, com sono, mas responsável, fuzilou os prisioneiros que estavam sob sua guarda, deitou-se e dormiu. Você conhece o ser humano?
E aquele jovem que, cedo, levanta-se da cama, com um pé-de-cabra vai até o quarto da mãe, esfacela-lhe a cabeça e, em seguida, tenta o suicídio. Ele confessa: - Eu me lembro de tudo o que fiz. Foi uma força incontrolável que apoderou-se de mim. Uma semana depois morre e é sepultado junto ao túmulo da mãe. O maníaco do parque de São Paulo (motoboy) confessou que, levado por forças involuntárias, matou nove ou dez mulheres. Pede para ficar preso o resto de sua vida. Você conhece o ser humano?
Vampiros existem? “Segundo alergistas americanos da universidade de Idaho, a ânsia por sangue é causada por dependência alérgica de alimentos ricos em proteínas. Na psicologia diz-se que sofrem de Hematomania, um fetiche de sangue onde o prazer sexual entre outras necessidades psicológicas dos indivíduos são atendidas por um consumo regular de sangue humano (por vezes também consome-se carne humana).” (2) Você conhece o ser humano?
Hitler, Madre Teresa de Calcutá, Jesus, Judas, Stalin, Mozart, Mao Tse Tung, São Francisco de Assis, Átila - Rei dos Hunos, Maomé, Jack - o estripador, Júlio César, Brutus, Napoleão, Calabar, Einstein foram seres humanos; o maníaco do Parque, o assassino de médicos, o estuprador, o assassino em série e o seqüestrador são seres humanos; alguns agem individualmente, outros individualmente são covardes, mas em grupo transformam-se em monstros; o santo e o pecador todos são seres humanos. Você conhece o ser humano?
  1. Roden, Huberto - Lúcifer e Logos - Ed. Alvorada, São Paulo
  2. Massapust, Shirlei - O Movimento Vampiro - http://www.ufsm.br/malkavian/all/movimento-vampiro.html

AMOR, SEXO E PAIXÃO

O corpo humano possui dois pólos energéticos identificados como positivo e negativo, masculino e feminino, consciente e inconsciente, racional e intuitivo. O predomínio ou equilíbrio de um deles, identifica características individuais. O predomínio da energia não caracteriza o corpo físico pois um corpo masculino pode ter o predomínio de energia feminina e vice-versa. Os pólos opostos se atraem.
Sexualidade e espiritualidade são dois extremos da energia. O sexo é a energia bruta, rude, primária, paixão que pode transformar-se numa energia refinada, pura, em um sentimento espiritual. Transformar a energia sexual é uma experiência que leva o homem ao centro de si mesmo, a tornar-se uma Unidade. [Nicolau de Cusa definiu o próprio Deus como uma complexio opositorum (união dos opostos)].
Sexo é o encontro de energia positiva e negativa que leva a pessoa ao encontro do Uno, da unificação, do encontro consigo mesmo.
Todo ser humano é possuidor de energia masculina e feminina. O que há é um predomínio de determinado pólo energético ou até de um equilíbrio. Há uma união, uma troca de energias, da mesma forma que um polo positivo e outro negativo são necessários para acender uma lâmpada. É necessário sentir a energia fluir entre os dois corpos suavemente, sem oposição de qualquer espécie. O sexo não deve ser uma luta, mas uma entrega. Esta é uma experiência de "iluminação". Os seres mais evoluídos conseguem chegar a um equilíbrio harmônico entre as suas energias positivas (masculinas) e negativas (femininas), quando então, já não mais necessitam do outro.
Homossexualismo (masculino e feminino) é um assunto tão complexo quanto o é a personalidade humana. O que sabemos é ele não é opção, mas é uma atração sexual. É um tema que provoca polêmica, na maioria das vezes, por desinformação. A afirmação de que é uma “opção" não encontra respaldo na realidade. A simples constatação de que ninguém, no início da puberdade ou da adolescência, opta ser hétero ou homossexual, anula qualquer argumento em contrário. É um tema muito complexo que pode ter muitos desdobramentos, mas em nenhuma situação, pode-se afirmar que é uma opção pessoal.
É algo mais forte dentro de nós. Atração é a palavra certa. Há quem gosta de jiló, quiabo, óleo de bacalhau, há quem prefere beterraba, champignon e caviar. Eu gosto de whisky, há quem prefere cachaça. Gosto de frango grelhado com batatas, há quem prefere arroz com feijão e bife. Eu prefiro cores pastéis, há quem gosta de rosa choque e verde limão com amarelo ouro. Prefiro sapatos, há quem só usa tênis. Gosto de cabelos curtos, há quem gosta de cumpridos. São identificações. São coisas que nos saltam aos olhos e nos fazem sentir mais atraídos por elas. Gostar mais de verde ou de amarelo não é fazer uma opção é ? Então compreendo o resto do mundo da mesma forma. Não optei ser Psicólogo, Advogado ou outra coisa. Não optei ler Patinhas ou o Gazeta Mercantil, é uma questão que diz respeito ao meu processo de identificação.” (O Psicólogo).
Jung ao tratar da individuação, da evolução para uma consciência mais ampla e profunda, aborda uma forma de homossexualidade bastante comum e pouco conhecida no nosso meio. “O autoconhecimento é um processo que leva a compor com o outro (“sombra”) em nós. O despertar da consciência deixa cair o manto das convenções e evolui para um confronto direto com a realidade, sem os véus da mentira, nem enfeites de qualquer espécie. O homem mostra-se, portanto, como ele é, e revela o que antes estava oculto sob a máscara da adaptação convencional, isto é, a sombra. Ao tornar-se consciente , a sombra é integrada ao eu, o que faz com que se opere uma aproximação à totalidade. A totalidade não é a perfeição mas sim o ser completo. Pela assimilação da sombra, o homem como que assume o seu corpo, o que traz para o foco da consciência toda a sua esfera animal dos instintos, bem como a psique primitiva ou arcaica, que assim não se deixam mais reprimir por meio de ficções e ilusões. E é justamente isso que faz do homem o problema difícil que ele é. ... A sombra representa, na realidade, o que falta a cada personalidade. Ela é, para cada indivíduo, aquilo que ele poderia ter vivido e não viveu.
Ao apresentarem-se ao consciente como figuras de sombra, os diferentes componentes que evocamos assumem posição de parceiros para uma história possível. De sonho em tomada de consciência, e de modificação de comportamento em novo sonho, vemos a sombra reagir e mudar. Ela permanece, entretanto, como o eterno antagonista, pois nasce, sob outras formas, do próprio desenvolvimento do sujeito.” É sempre “o conjunto do que o sujeito não reconhece e que o persegue incansavelmente”. Nesta dialética, acontece que a sombra se projeta sobre um parceiro concreto e desencadeia assim um apego que é uma das formas de homossexualidade.” (Jung)
A atração entre duas pessoas envolve o todo que a pessoa é. Para facilitar a compreensão é que usamos os termos masculino (positivo ou A) e feminino (negativo ou B) porque são estas características que definem as pessoas. Cada pessoa é única. Assim como o homem não sente atração por qualquer mulher e vice-versa, o homossexual também não sente atração por qualquer pessoa do mesmo sexo. Quando afirmo que "nós somente vamos sentir atração pelo oposto, independentemente do sexo" é porque cada pessoa é um universo próprio que sente atração por um "universo" oposto.


FELICIDADE

O que é felicidade? O caminho da felicidade é a liberdade. São seus maiores obstáculos o apego e a dependência psicológica. Mas a maioria das pessoas não suporta a idéia de ser livre. É o apego e a dependência psicológica que as fazem felizes. As emoções são as causas da felicidade ou infelicidade. A felicidade é escrava do outro (pessoa, objeto) e vai depender dele para se concretizar e manter. Ser livre dos nossos desejos, apegos, do amor e do ódio e da nossa consciência moral nos fará encontrar a paz. É na liberdade que se encontra paz. Esta é a verdadeira felicidade. Ela não depende do outro. É um estado do nosso mundo interior.

A DUALIDADE - Tudo é energia

A Ciência nos ensina que o universo é um campo energético e não há vácuos absolutos. O conhecimento científico é um componente básico para o autoconhecimento e, para os sábios, não há incompatibilidade entre ciência e religião.
O ser humano, em toda a sua complexidade é um universo próprio e um pólo energético. A energia apresenta-se sob dois pólos: positivo e negativo. Não há energia má ou boa porque a natureza é amoral. Mas o homem inconsciente denomina-as de Bem e Mal, Deus e Diabo, Certo e Errado.
A energia que move a vida é dual: masculina e feminina. No interior do ser humano os seus instintos são forças poderosas que se opõem mutuamente, um verdadeiro caos que procura uma ordem superior: a harmonia, um equilíbrio dinâmico em constante evolução. Quando o homem, pelo seu nível de evolução, não consegue harmonizá-las, elas tornam-se fonte e origem de todo o seu sofrimento.
A oposição energética tende à harmonia numa ordem superior. Para acabar com o seu inimigo o homem inconsciente mata-o, e o homem consciente ama-o. Energias opostas, em harmonia, tem o poder da criação. O segredo está no símbolo do I Ching: positivo e negativo, masculino e feminino, girando harmoniosamente.


VIVER A VIDA

Ter fé é criar um mundo mágico e ilusório; ter consciência é viver a Vida”.

Há a expectativa de que a Nova Era que se aproxima nos trará aquele estado de paz e harmonia sintetizado na poesia de Schiller: “alle Menschen werden Brüder” (todos os homens serão irmãos - numa tradução literal), eternizada por Beethoven, na 9a. Sinfonia.
A Nova Era e a Vida, entretanto, são um eterno vir a ser. Para entendê-las é preciso um espírito jovem, irrequieto, rebelde e pesquisador. Grande parte das pessoas vivem estagnadas no tempo e no espaço, presas às suas verdades, à sua fé, à sua rotina, ao mundo fechado que construíram ao seu redor.
Parece-me, às vezes, que o homem tem necessidade de atos de vontade para acompanhar a evolução, a lei das infinitas mudanças, porque sem eles, ele fica para trás, cristalizado, petrificado, morto.
Fides et Ratio”. Fé e razão. Nós precisamos ultrapassar os conceitos de fé e razão para construir a plena consciência, o homem integral. Aprisionados pelo muro da ignorância precisamos abrir um canal de comunicação com o Espírito Universal. O muro é o nosso tão querido, amado e pouco conhecido “ego” constituído pela tradição, cultura, fé e todos os valores egoístas que nos tornam cegos e surdos para a Vida, para a verdadeira realidade que é o Todo, o Uno, o Universo.

VONTADE DE PODER

O homem precisa de desafios para exercer a sua vontade de poder. O progresso humano, a sua evolução cultural é cumulativa, isto é, transmitimos para os nossos filhos e para os outros da mesma espécie qualquer coisa que se invente ou aprenda ou descubra. Por isso a evolução cultural é tão rápida. O início foi muito demorado. Parece que nossos ancestrais, entre o controle do fogo e o desenvolvimento da linguagem levaram aproximadamente um milhão de anos. A ampliação da consciência do homem é lenta, individual e intransferível e assemelha-se à evolução natural das espécies. Há um ato de vontade tanto na evolução cultural quanto no desenvolvimento do espírito e que tem a sua causa no instinto ou no superego. A evolução cultural e tecnológica tem a sua origem no superego (que esotericamente chamamos de "ego"). No autoconhecimento, na ampliação da consciência, no desenvolvimento espiritual há a necessidade da supressão do "ego" para que ocorra a evolução. Então é impossível ao "ego" destruir-se a si mesmo pelo seu fortalecimento. A força que move a evolução do espírito tem a sua causa no instinto de liberdade. Para que ela possa manifestar-se e evoluir, nós precisamos remover a vontade inquebrantável do "ego" representado pela tradição, valores culturais e religiosos que acumulamos durante a nossa vida. Precisamos “render”, destruir o “ego” para que se desenvolva a liberdade, a paz, a harmonia e o amor.

ID, EGO E SUPEREGO

A personalidade, segundo Freud, é constituída por três sistemas de motivação e ação que se opõem habitualmente no conflito, id, ego e superego.
O id (das Es, em alemão, termo utilizado por Nietzsche para designar aquelas forças profundas, naturais, involuntárias que governam a vida) é o conjunto de impulsos inatos (sexuais e agressivos) e de desejos recalcados. Esses impulsos e desejos recalcados estão submetidos tão somente ao do princípio prazer-desprazer. São as paixões.
O “ego” é uma estrutura cuja atividade é consciente (percepção e demais processos intelectuais), pré-consciente e inconsciente (mecanismos de defesa, de adaptação psicológica).É responsável pelo ajustamento do indivíduo. O “ego” representa a razão, a reflexão, é formado de suas lembranças e emoções e é o centro do campo de consciência. Manifesta-se através da vontade cuja direção é determinada pelo equilíbrio dos desejos em geral conflitantes que se originam do id e do superego; o princípio de equilíbrio de poder é fundamental sempre que se trate de vontade e das decisões da vontade. Consequentemente a força do ego corresponde ao seu grau de liberdade em relação às duas outras instâncias, o id e o superego.
O superego é o ego modificado. É a introjeção das forças repressivas(educação) e das imposições ambientais que ocorrem durante o desenvolvimento individual. O superego é a consciência moral que o indivíduo possui, produto das relações com os objetos que o circundam e das influências sociais. As exigências do superego é que moldam o ego.
Dos desajustes ocorridos entre esses três sistemas decorrem as adaptações anormais da personalidade.
O “ego” é a máscara que começamos a colocar quando nascemos, moldada pela herança genética e aperfeiçoada durante a vida.
O “ego” inflado entra em crise quando perde a sustentação da realidade que o cerca. Ao perceber que já não pode tudo e todos os “egos” à sua volta já não o bajulam mais; quando a sua arrogância já não encontra o seu oposto, a servidão; quando o seu autoritarismo já não encontra subserviência; quando a sua sapiência já não encontro ignorantes e quando a sua esperteza já não encontra trouxas, ele desaba. Esta é experiência que alguns chamam de “morte do ego”, mas que na verdade é apenas um “golpe de estado” para que ele ocupe uma posição de harmonia na personalidade.
A intensa crise representa a luta das forças da personalidade para que os três sistemas de motivação e ação encontrarem o equilíbrio.


2. Instintos e Reflexos Condicionados

O equilíbrio do organismo humano em suas relações com o mundo exterior é estabelecido pelo sistema nervoso através de “reflexos incondicionados”, absolutos, inatos e genéricos; tanto elementares como a tosse, espirro, dilatação e constrição das pupilas, os movimentos peristálticos dos intestinos, as secreções glandulares, como pelos mais complexos, chamados de instintos (procriador, defensivo, alimentar, de libertação, etc.). Os reflexos incondicionados são então, respostas às solicitações naturais, internas ou externas, e decorrem de uma ligação direta entre os receptadores (órgãos de sentidos) e o cérebro. São incondicionados porque não dependem de uma condição para existir. São naturais, “instintivos” (“instinto”=impulso).
Os “reflexos condicionados” representam as adaptações ao seu meio. Eles são resultados das experiências diárias que levam o homem a superar dificuldades, superar problemas e, então, a aprender. Através de constantes aprendizagens, o homem obtém um número elevado de informações e normas de conduta. As relações e o significado das coisas conduzem-no a memorizar e a aprender. Sabemos que existe uma associação entre um estímulo e uma resposta. Essa resposta é aprendida e o indivíduo passa a se valer dela para se adaptar às situações geralmente iguais. O comportamento de um indivíduo é composto por um conjunto de reflexos associados e encadeados.
No meio social, o indivíduo, além das habilidades, adquire formas de comportamento decorrentes de aprendizagem mais complexas como preferências, preconceitos, interesses especiais, valores morais, etc. A imitação tem uma posição destacada no processo do condicionamento do indivíduo.
Entretanto, cada pessoa tem uma maneira peculiar própria de pensar, sentir e agir perante as influências externas.
Existe, ainda, uma interdependência entre aprendizagem e maturação (processo de desenvolvimento dos órgãos e funções para atingir determinada condição) que limita a aprendizagem.

3. A linguagem

A linguagem é um sistema de meios (sons, gestos, palavras e regulares combinações desta em forma de orações), através do qual os homens se comunicam e trocam idéias.
Os homens procuram ligar as idéias que tem das coisas pela fala e pela grafia. A fala e a grafia que são sinais de coisas tanto presentes, quanto ausentes, concretizam o pensamento. Através de sinais gráficos e orais, os homens mantém relações entre si em vista de determinados fins, prescindindo cada vez mais das relações diretas com os objetos, sem que tomem consciência, na maioria das vezes, desse acontecimento. Isso pode levar o homem a perder a consciência exata da realidade, posto que ele trabalha com palavras e estas designam coisas que ele, às vezes, jamais percebeu totalmente.

4. O Pensamento

O pensamento é uma forma de atividade comum a todos os seres que dispõem de sistema nervoso central. Os experimentos de Pavlov, Ivanov Ismolensqui e outros demonstram que também os animais pensam. O que caracteriza então o pensamento do homem? Há uma diferença qualitativa e quantitativa entre o pensamento humano e o animal. A do homem é superior devido ao tipo de relação que estabeleceu com o ambiente devido à vida social, às formas de trabalho e à linguagem que, dispondo de verbo, tornou o pensamento discursivo, com seqüência. O pensamento é uma associação dinâmica de imagens acumuladas. Há uma íntima e indissolúvel relação entre o pensar e o falar.
O raciocínio é uma forma de pensar por meio dos qual ensaiamos simbolicamente soluções para um ou vários problemas. É evidente que esta não é a única maneira do homem resolver problemas. Quando estamos aprendendo ensaiamos, erramos, tornamos a ensaiar até conseguir uma seqüência certa de respostas .”


5. Caráter e personalidade

Carater” (do grego caracter) significa traço, sinal, sintoma, particularidade. “É o conjunto de disposições congênitas que formam o esqueleto mental de um homem”(Renné Le Senne). O caráter pode ser comparado a uma máquina de escrever e a personalidade à letra escrita.
Personalidade é a organização integrada por todas as características cogniscitivas, afetivas, volitivas (1) e físicas de um indivíduo, tal como se manifestam. Esta organização integrada por todas as características é que diferencia um indivíduo de outros.
  1. Características volitivas são as da vontade. Entendemos por ato voluntário aquele em que o indivíduo tem consciência dos meios e das finalidades de sua conduta; isto é, o indivíduo procura atingir um objetivo por ele mesmo proposto, tendo consciência dessa tentativa.

6. Formação da Consciência

O processo de apercepção forma a consciência e sua ampliação horizontal e vertical é promovida pela inteligência (1) e pela razão (2) através de atos de vontade e pela maturação (3) do homem.
O saber cultural não significa o mesmo que compreender pois ele é apenas um acúmulo de apercepções. Há uma enorme diferença entre fazer alguma coisa e ter consciência do que se está fazendo.
A ampliação da consciência do homem é lenta, individual e intransferível e assemelha-se à evolução natural das espécies.
  1. conjunto imensamente complexo e variado de habilidades e capacidades que emergem da estrutura do cérebro humano.
  2. faculdade espiritual própria do homem, e pela qual ele chega à concepção das idéias universais, como sejam da unidade, de identidade, de causa e de substância
  3. processo de desenvolvimento dos órgãos e funções para atingir determinada condição.
Eu tenho meu próprio ritmo de compreensão das coisas. Este é o meu processo de pesquisas. Colho as informações e as deixo armazenadas. Com o tempo e novas percepções vai-se formando a convicção. A minha pesquisa não é apenas intelectual mas inclui o sentimento, a introspecção, a observação do mundo que me cerca. Quando chego a uma conclusão, ela inclui o sentir e porisso ela torna-se real para mim.
Eu sou um pesquisador. Já fui uma pessoa de uma fé total, absoluta baseada na religião católica. Hoje eu não tenho fé. A fé foi cedendo seu espaço para o “saber”, o sentir. Isto levou muitos anos. Somos uma máquina de reflexos condicionados e é muito difícil mudar-se esta programação. Eu sempre afirmo aquilo que sinto, sem medo de errar, porque somente aprendo com o erro. Olhando para trás, observo quantas “bobagens” fiz e escrevi e sei que vou continuar fazendo outras mais. As “bobagens” que escrevi no passado estavam embasadas na realidade que eu vivia naquele momento. Observo, então, que eu evolui, que eu cresci e continuo crescendo com os pés no chão, caminhando e observando a realidade que me cerca.
Quem sou eu?” . Foi a partir desta pergunta que comecei as minhas pesquisas. Eu poderia ser um pesquisador em física, filosofia, história, direito, medicina, psicologia, etc. Mas por que pesquisar “quem sou “eu””? Este é um ato de vontade que é gerado por um desejo. O que, quem gera o desejo? O desejo é gerado pelo instinto ou pelo “superego”. A causa desse meu ato de vontade, estava no instinto de liberdade. Por que liberdade? Certamente um dos motivos foi a minha infância e adolescência sob férrea disciplina germânica, opressiva e castradora em que a religião católica teve papel fundamental. Esta pesquisa levou-me a compreender a ter consciência do “eu” e de como ele se construiu e continua se construindo. A consciência do “eu”, Deus, diabo, céu, inferno, anjos, etc. foi algo que foi acontecendo num período de tempo relativamente curto. Quem sou “eu”? “Eu” sou um ponto consciente que é parte do Uno, do Todo, do Universo. Tudo é energia e “eu” também sou energia. Há vinte anos eu era uma energia com baixíssimo nível de consciência hoje sou uma pessoa com um elevado nível de consciência de mim mesmo, em contínua expansão. Você sabe que consciência é algo extremamente diferente de conhecimento cultural ou científico. Há uma enorme diferença entre fazer alguma coisa e ter consciência disto.
Veja então como eu observo esta questão. A ampliação da consciência do homem é lenta, individual e intransferível e assemelha-se à evolução natural das espécies. Quando o nível de consciência ultrapassa o da inconsciência, o homem rompe a casca e nasce um novo “eu”. No início um “filhote” meio perdido, mas que aos poucos se desenvolve para chegar à autoconsciência. Então, se eu morro fisicamente na fase inconsciente, eu vou continuar apenas um ponto energético inconsciente no Universo. Para aquele que atingiu um elevado nível de consciência será diferente? Os místicos dizem que sim, mas eu quero ter consciência da resposta a esta pergunta. A ciência afirma que nós somos energia e que a lei de conservação da massa é generalizada para a lei de conservação de energia e de movimento, ou quantidade de movimento, e que são leis naturais e universais. Com a morte do corpo físico esta energia simplesmente dissolve-se na energia universal, ou será possível a este ponto energético (indivíduo) manter a consciência de si mesmo (autoconsciência)? Especulação? Na verdade, consciência é algo que não pode ser medido e pesado. É uma experiência totalmente individual.
"Parece que o consciente flui em torrentes para dentro de nós, vindo de fora sob a forma de percepções sensoriais. Nós vemos, ouvimos, apalpamos e cheiramos o mundo, e assim temos consciência do mundo. Estas percepções sensoriais nos dizem que algo "existe" fora de nós. Mas elas não nos dizem "o que" isto seja em si. Isto é tarefa, não do "processo de percepção", mas do "processo de apercepção". Este último tem uma estrutura altamente complexa. Não que as percepções sensoriais sejam algo simples; mas sua natureza complexa é menos psíquica do que fisiológica. A complexidade da apercepção, pelo contrário é psíquica. Podemos identificar nela a cooperação de diversos processos psíquicos. Suponhamos ouvir um ruído cuja natureza nos pareça desconhecido. Depois de algum tempo, percebemos claramente que o ruído peculiar deve provir das bolhas de ar que sobem pela tubulação da central de aquecimento. Isto nos permite "reconhecer" o ruído. Este reconhecimento deriva de um processo que denominamos de "pensamento". É o "pensamento" que nos diz "o que" a coisa é em si.
Falei acima em ruído "peculiar". Quando qualifico qualquer coisa como "peculiar", eu me refiro a uma "tonalidade afetiva" especial que a coisa tem. A tonalidade afetiva implica uma "avaliação". Podemos conceber o "processo de reconhecimento" essencialmente como uma comparação e uma diferenciação com o auxílio da memória. Quando vejo o fogo, por ex., o estímulo luminoso me transmite a idéia de fogo. Como existem inúmeras imagens recordativas do fogo em minha memória, estas imagens entram em combinação com a imagem do fogo que acaba de ser recebida, e a operação de compará-la e diferenciá-la dessas imagens de recordação produz o reconhecimento, isto é, a constatação definitiva da peculiaridade da imagem há pouco adquirida. Em linguagem ordinária, este processo denomina-se "pensamento".
O "processo de avaliação" é diferente: o fogo que eu vejo provoca reações emocionais de natureza agradável ou desagradável, e as imagens de recordação assim estimuladas trazem consigo fenômenos emocionais concomitantes denominados "tonalidades afetivas". Deste modo um objeto nos parece agradável, desagradável, belo ou desejável, feio, repelente, etc. Em linguagem ordinária este processo se chama "sentimento".
O "processo intuitivo" não é uma percepção sensorial nem um pensamento, nem também um sentimento. Intuição é um processo de sentir, ou seja, a percepção das possibilidades inerentes a uma dada situação. A intuição decorre de um processo inconsciente, dado que o seu resultado é uma idéia súbita, a irrupção de um conteúdo inconsciente na consciência. A intuição é, portanto, um processo de percepção, mas, ao contrário da atividade consciente dos sentidos e da introspecção, é uma percepção inconsciente” (C. G. Jung, in A Natureza da Psique - Ed. Vozes - Petrópolis, 1986).

O que é intuição?

Entendemos como intuição uma percepção cognitiva diferente do racional que encontra no meio científico seu lugar com o nome "contexto de descobrimento de idéias". Esta percepção cognitiva comprime anos de experiência e aprendizado num clarão instantâneo.

Relação entre intuição e funcionamento do cérebro
Em relação ao potencial intuitivo e o funcionamento do cérebro diremos: as pesquisas dos neurofisiologistas adiantaram nos últimos anos em muito o conhecimento do funcionamento do cérebro humano. Entendemos que o lado esquerdo e direito do cérebro possui funções especializadas e diferentes um do outro. O esquerdo ligado à experiência humana do intelectual, do lógico-racional e ao direito o subjetivo, afetivo, imaginativo e intuitivo. Isto não quer dizer que tenhamos dois cérebros. O cérebro é um e na experiência do viver e intuir o funcionamento dos dois hemisférios estão juntos. O homem necessita da percepção cognitiva da intuição associada à modalidade de funcionamento do hemisfério direito, mas esta para sua compreensão e expressão recorre aos diferentes aspectos da linguagem (hemisfério esquerdo) para ser comunicada socialmente.
Em relação ao funcionamento do cérebro como totalidade aderimos às teorias de Karl H. Pribram (Universidade de Stanford) associadas ao pensamento do físico inglês David Bohm ( professor da Universidade de Londres), principal inspirador da física quântica contemporânea. Estes propõem a saída da física mecanicista de Isaac Newtom para pensar e compreender em que consiste a realidade. Dirão que tudo o que existe é expressão de uma rede energética holográfica em movimento ondulatório fora das categorias de espaço e tempo. Tal rede energética ondulatória se expressa na chamada ordem explicada ( o que nos aparece) e numa ordem implicada ( rede energética fundante).
O cérebro funciona holograficamente e é suporte que manifesta o funcionamento do todo.
Este entendimento da física quântica e funcionamento holográfico do cérebro nos permite compreender não só o potencial intuitivo como assim também a validade das práticas espirituais do oriente e dos fenômenos estudados pela parapsicologia como clarividência, premonição, telepatia, etc.
Os aportes da física quântica nos permitem sair da divisão ser humano-meio ambiente, podendo passar então a pensar em termos de ecologia profunda onde o humano, o vegetal, o animal, o mineral e todas as formas de expressão da vida formam parte da mesma rede espiritual e energética. Rede constitutiva da lei ética da unidade de todas as coisas.

7. Nascimento do “eu”

O objeto dos sentidos são os fatos e fenômenos materiais do mundo físico em derredor.
O objeto adequado do intelecto são as leis que governam esses fatos e fenômenos e fazem do mundo um “cosmos”, um Todo orgânico. As forças ou leis que, embora invisíveis, regem as coisas visíveis são, em si mesmas, mais reais do que os fenômenos físicos por elas regidos, ainda que o homem dominado pelos sentidos considere a matéria mais real que as suas energias. Quem sabe orientar-se com segurança no mundo invisível das leis revela maior força intelectual do que o homem que sabe apenas lidar com esse mundo primitivo da matéria visível.
A lei máxima que governa todas as coisas e fenômenos do mundo material é a lei da “causalidade”. Nada acontece sem uma causa correspondente. Nenhum efeito é maior do que sua causa.
Toda a epopéia da nossa ciência, técnica e arte, toda a civilização e cultura do gênero humano assentam alicerces na lei da causalidade, que é o objeto específico da inteligência.
Tudo que está sujeito à lei da causalidade acontece no “tempo” e no “espaço”. Tempo e espaço, porém, não são objetos, mas sim modos ou atributos de percepção sensitiva e concepção intelectual. Se o homem não percebesse os fenômenos materiais pelos sentidos, nem concebesse as leis da energia pelo intelecto, nada saberia ele de tempo e espaço, nem de causalidade.
Pela percepção sensorial, portanto, temos a noção da “duração” (tempo) e da dimensão (espaço), assim como pela concepção intelectiva, baseada naquela, temos noção da causalidade.
Se fôssemos capazes de conhecer algo independentemente de tempo, espaço e causalidade, estaríamos fora do mundo dos fenômenos e suas leis; estaríamos no mundo do eterno, do infinito, do absoluto.
Ora, sendo que, pelos sentidos e pelo intelecto, estamos vinculados às categorias de tempo, espaço e causalidade, força é que essas faculdades cogniscitivas nos façam uni-laterais ou pauci-laterais; porquanto nenhuma dessas faculdades tem caráter universal, oni-lateral. Por isto, pelos sentidos e pelo intelecto todo ser é egoísta. O egoísmo intelectual do homem consciente, ego-consciente, pode assumir proporções funestas, quando não controlado por um poder superior, isto é pela Razão”. (Rohden - Lúcifer e Logos)

8. Alma imortal

O homem mostra-se renitente, inseguro, com medo de olhar para dentro de si mesmo. Esta incapacidade está ligada à sua consciência de vida. É próprio do homem inconsciente voltar-se para fora, para o outro; querer controlar a natureza e a vida das pessoas que o cercam. Temos uma fantástica evolução tecnológica em todas as áreas. A vida média do ser humano e a redução da natalidade estão crescendo de tal forma que num futuro não muito distante seremos uma humanidade de idosos. A astronomia e a física estão num estágio de descobertas nunca antes imaginado. Especula-se até na existência de mais de um universo. Mas descobrir o nosso universo pessoal é tão árduo quanto desvendar os mistérios do mundo que nos cerca. A ampliação da consciência em extensão e profundidade através do autoconhecimento leva-nos à autotransformação. É nesta caminhada da inconsciência para a autoconsciência que "criamos" a nossa alma. Nós nos "criamos" progressivamente ao nos libertarmos da escravidão da ignorância. Nós estamos dormindo e vivemos na ilusão. Se não despertarmos e construirmos a nossa alma eterna, nada sobreviverá após a morte biológica, pois não somos mais que um vegetal; apenas uma pessoa em milhões "cria" a sua alma individual imortal, de acordo com Gurdjieff. Nós somos um ponto energético na Alma Universal que necessita despertar. Está posto o desafio: "criar" a alma individual, sob pena de continuarmos sendo apenas um ponto energético dormindo na infinita Alma Universal.
Pelo autoconhecimento começa-se a ter consciência de um mundo imaterial que foge às explicações racionais. Este mundo imaterial que alguns percebem e sentem, não pode ser medido ou pesado. Porisso ele não é reconhecido pela ciência. Este mundo imaterial é "indiretamente, a questão fundamental, na prática, de todas as religiões e de todas as filosofias" afirma Jung. A ampliação da consciência do homem é lenta, individual e intransferível e assemelha-se à evolução natural das espécies. “Na evolução cultural qualquer coisa que se invente ou aprenda ou descubra imediatamente se acumula e é passada adiante, é um poderoso mecanismo cumulativo que não existe na natureza. Na natureza, quando uma espécie desenvolve alguma coisa, não pode transferi-la para mais ninguém; cada espécie é a sua própria entidade singular. Há interação, mas nunca amálgamação, ao passo que na cultura humana você tem essa complexas reticulação. Então é por essas duas razões que a herança cumulativa de conhecimento e tecnologia e sua propriedade reticular de descoberta e invenção, que a evolução cultural é tão rápida”(Oliver Sacks).

9. Evolução

Não podemos esquecer que imortal e imutável são duas palavras com sentidos totalmente diferentes. Você hoje é o José de dez anos atrás, mais a experiência que você acumulou neste período. Você não é outro, você é o mesmo, porque a vida não é um tornarmo-nos algo diferente, mas sim desenvolver o que já somos potencialmente. Nós somos igual a uma semente lançada no solo que vai brotar, crescer, dar flores, frutos, envelhecer e morrer. A semente, a muda, o arbusto e a árvore de laranjeira são uma só na sua essência. A semente contém em si, potencialmente, a árvore. Não há um renascimento durante a nossa vida. A substituição das células envelhecidas do corpo por células novas, não significa um renascimento, mas a mudança necessária para que a nossa vida atinja os seus limites biológicos. Nós somos o mesmo, na essência, desde o nascimento até a morte física. O que muda é a nossa visão da vida em função das experiências pelas quais passamos, e é a isto que chamamos de ampliação da consciência ou evolução. A "construção da alma" , é, em outras palavras, esta ampliação da consciência. É apenas uma questão de palavras. O Kai de hoje também é totalmente diferente daquele de, por exemplo, dois anos atrás. Muitas coisas que fiz há dois anos eu não repito hoje. Por que? Porque aprendi com os meus erros. Mas aquelas experiências foram essenciais para que eu aprendesse ( nós não podemos "queimar" etapas ou usar atalhos no nosso crescimento). Eu sou o mesmo Kai (corpo físico, mental e emocional) mas o que mudou foi a consciência, a percepção, a compreensão que eu tenho da vida e do mundo que me cerca. Em função desta mudança mudou inclusive o meu comportamento, mas não o "eu". Pode até aparecer alguém e dizer: - Cara, como você mudou! Posso ter mudado de aparência física, de comportamento, mas no fundo, eu sou o mesmo. Não podemos esquecer, entretanto, que cada pessoa tem a sua história e que há pessoas que praticamente não mudam.
Eu não pertenço a nenhuma religião formal, escola iniciática ou outro grupo qualquer. Eu não sigo "autoridades", isto é, posso aceitar determinados conceitos de um autor ou sábio e desprezar outros. Entretanto, na minha pesquisa, procuro conhecer os ensinamentos dos livros sagrados e sábios que se identificam com a minha personalidade. Costumo citar Rohden, Krishnamurti, Rajneesh, Nietzsche, Rudhyar e Jung, entre outros, porque são fundamentais para mim. Autoconhecimento não é uma nova filosofia ou religião. Autoconhecimento é consciência.
Eu não escolho caminhos pois eu sou o meu próprio caminho. O que realmente importa é ter consciência do que faz e do que se diz. Eu, nos autores citados, seleciono as afinidades e não as divergências. A "construção da alma" , é, em outras palavras, a ampliação da consciência que cada um comprova pessoalmente durante a sua vida. É apenas uma questão de palavras. Sobre ampliação da consciência, permita-me citar Jung: "O encontro com o inconsciente é determinado pelo destino; o homem natural nem suspeita sua existência até que um dia se vê mergulhado nele. É um processo psíquico por excelência. O objetivo essencial é o desenvolvimento da consciência, isto é, em primeiro lugar a tomada de consciência dos conteúdos até então projetados. Este esforço leva pouco a pouco ao conhecimento do outro, bem como ao conhecimento de si e assim, a distinguir o que a pessoa é na realidade daquilo que nela é projetado ou que ela fantasia a seu respeito. Neste processo estamos tão empenhados em nosso próprio esforço, que mal percebemos a que ponto a natureza nos impele e nos ajuda: em outras palavras, mal percebemos o quanto o instinto está interessado em atingir esse nível superior de consciência"(JUNG). Jung é polêmico, assim como todos os sábios. Nem Jesus Cristo consegue unanimidade. Mas se alguém identifica a sua experiência de vida com estas afirmações dele, então não há o que contestar.

10. NÍVEIS CONSCIÊNCIA

A MORTE

O que é a morte? o que é vida?
Vejamos, preliminarmente, algo sobre a Lei de Lavoisier e, tempo e espaço.
1. Lei de conservação da massa formulada por Lavoisier: "Nós devemos aceitar como um axioma incontestável que em todas as operações da natureza e da arte nada é criado; uma quantidade igual de matéria existe antes e depois do experimento". A lei de conservação da massa é generalizada para a lei de conservação de energia e de movimento, ou quantidade de movimento. São leis naturais e a sua propriedade mais importante é sua universalidade.
2. Tempo e espaço são modos ou atributos de percepção sensitiva e concepção intelectual. Se o homem não percebesse os fenômenos materiais pelos sentidos, nem concebesse as leis da energia pelo intelecto, nada saberia ele de tempo e espaço, nem de causalidade. Se fôssemos capazes de conhecer algo independentemente de tempo, espaço e causalidade, estaríamos fora do mundo dos fenômenos e suas leis; estaríamos no mundo do eterno, do infinito, do absoluto.
Se no Universo nada se cria, nada se perde e tudo se transforma; se o tempo é uma ilusão dos sentidos e o que existe é o eterno agora em contínua transformação, a vida e a morte são, então, faces de uma só realidade. Esta realidade é a nossa essência que podemos chamar de inconsciente coletivo, instinto ou espírito: uma parcela da alma universal.
Mas então, por que o homem teme a morte?
Freud explica. Dividiu a personalidade em três sistemas de motivação e ação, id, ego e superego. O id é o instinto; o ego (eu) é o centro da consciência e, o superego, a consciência moral, resultado da educação e das influências ambientais. O superego é construído durante a vida, é a máscara formada pelos condicionamentos psicológicos. Ele domina a personalidade inconsciente e morre com o corpo físico. O homem inconsciente identifica-se com o superego e por isso teme a morte. Aquele que evoluiu para além da consciência moral não teme a morte. Se ele não teme a morte e a sua vida é repleta de dor, por que não se suicida? Porque ele sabe que tudo tem o seu tempo e cada coisa a sua hora e, a ampliação da consciência, somente é possível, com o uso do cérebro e dos sentidos do corpo físico. A ampliação da consciência é o despertar gradual do espírito que, aos poucos, vai dominando a personalidade. O superego vai ceder o seu lugar, não sem lutas, a esta força muito mais poderosa. Todo o ser passa para um outro nível de consciência, e percebe-se totalmente diferente de qualquer outro ser humano.
A morte é apenas uma transformação, nada mais do que isso. Por que temê-la? Vamos viver!!!

INDIVIDUAÇÃO

O homem desde a concepção vai construindo através dos sentidos o seu universo, a sua consciência, a sua personalidade. A formação da personalidade dá-se de acordo com os valores da tradição, da cultura e da religião transmitidos pela família, pelo grupo social e pela educação formal. A personalidade é formada pelo aprendizado e é, portanto, uma máscara construída para adaptar-se às diversas situações do universo em que ela vive. O centro de gravidade do “eu” está localizado nessa estrutura, dominada pelos valores coletivos, pela fé e pela razão, chamada por Freud de superego (ego das escolas esotéricas).
Características desta personalidade:
  1. A natureza determinada e dirigida dos conteúdos da consciência.
  2. O comportamento, sentimentos e pensamentos são, em grande parte, controlados por impulsos inconscientes e pelas tradições coletivas.
  3. A vida é movida pela energia da vontade, a vontade de poder. O caminho da vontade se dá através de conflitos, lutas e violência.
  4. O seu mundo é dual, fragmentado, baseado em escolhas. A mente absolve ou condena, justifica e compara.
  5. As suas certezas são baseadas no conhecimento intelectual, no raciocínio, na lógica e na fé.
  6. Em geral têm uma profunda aversão em conhecer alguma coisa a mais sobre si mesmos.
  7. Vivem num mundo de expectativas, emoções, idéias, hábitos, passado e futuro.
Esta é a humanidade que nós conhecemos.
A evolução, o desenvolvimento ou ampliação da consciência é promovida pelo instinto e manifesta-se como um desejo de liberdade. São aquelas forças profundas, naturais, involuntárias e inconscientes (id - Freud) que se manifestam e que vão promover a mudança do centro de gravidade do “eu” do superego para o instinto. O superego (ego) é colocado numa posição secundária. É o processo de individuação, de autotransformação do ser dual, masculino e feminino, consciente e inconsciente em um todo. Representa o nascimento de um novo homem com um nível de consciência superior.
Características do novo homem:
  1. A vida é movida pelo amor, harmonia e liberdade.
  2. O relacionamento com o Universo que o cerca é feito através da intuição, do bom senso e do sentimento do Amor.
  3. Tem uma visão holística, uma compreensão do todo, do conjunto.
  4. Vive segundo o princípio de que tudo tem o seu tempo e cada coisa a sua hora.
  5. Nas relações pessoais é tolerante, não julga e não têm preconceitos.
  6. Vive o aqui, o agora e a não-escolha. Está aberto ao novo porque sabe que as certezas de hoje podem estar superadas amanhã.
  7. Não é movido pela fé mas sim pelo saber.
Devemos observar que a autotransformação, o realizar-se a si mesmo (individuação) não é apenas um processo de ampliação da consciência. Este pode ser promovido pelo fortalecimento do superego (ego) que leva a um mero egocentrismo enquanto a individuação compreende infinitamente mais. A autotransformação não exclui o mundo, pelo contrário, o engloba. É um processo de tomada de consciência, de uma vivência e de uma experiência que envolve a pessoa toda.
O novo homem está desvinculado de todos os valores coletivos, ele é ele mesmo, solitário, bissexual e auto-erótico. Ele basta a si mesmo. É um indivíduo absolutamente diferente de qualquer outro ser humano porque o seu nível de consciência está além do mundo dual em que vive a humanidade.


O eu é o centro da consciência. Consciência é a percepção, a compreensão que cada um tem de si mesmo e, conseqüentemente, do mundo que o cerca. Tanto o homem como o animal são regidos, do ponto de vista psíquico, pelo inconsciente. Não há entre eles, senão uma diferença de grau, marcada pelo nível de realização da consciência.
A consciência forma-se através das informações recebidas pelos sentidos e processadas pela inteligência e pela razão. A experiência direta é a base da consciência. O intelectual não é um sábio na verdadeira acepção da palavra, pois a sabedoria nasce da experiência. Não podemos esquecer que na formação da consciência há também uma contribuição fundamental do inconsciente.
Formada a personalidade, o eu, está com o seu centro de gravidade no superego (1), também chamado de ego. O eu centrado no superego tem uma visão egoísta, egocêntrica e parcial da realidade. O fortalecimento do superego amplia a consciência promovendo um egocentrismo que embora altruísta não determina a transformação do ser.
Um superego muito forte desequilibra as forças constitutivas do eu. A natureza da pessoa precisa realizar as suas potencialidades, isto é, crescer e produzir seus frutos. Quanto mais rígidas a disciplina, a hierarquia e as normas sociais e morais que sufocam a verdadeira natureza do ser maior será a força inconsciente que irá explodir e destruir a ordem constituída. A autotransformação, o processo de individuação manifesta-se como um anseio de liberdade. A liberação das forças inconscientes não é voluntária e irá provocam uma grande revolução, uma luta interna, uma subversão da ordem até então estabelecida pelo superego e terá como efeito uma profunda crise existencial que irá afetar todo o complexo do eu. As forças inconscientes são muito mais poderosas do que o superego e irão dominá-lo colocando-o numa posição secundária o que irá provocar uma profunda ampliação da consciência. O centro da consciência, o centro de gravidade do eu passa para o domínio das forças inconscientes, a verdadeira natureza da pessoa. A razão e a lógica passam para um segundo plano e nasce um novo homem com um nível de consciência acima do homem comum, dominado pela visão dual do mundo, com uma visão holística da sua realidade, do seu mundo e do universo.
(1) O superego é a consciência moral que o indivíduo possui, produto das relações com os objetos que o circundam, da educação e das influências sociais. As exigências do superego é que moldam o eu. O superego é a personalidade, a máscara construída pelo complexo do eu para adaptar-se às diversas situações do seu meio.

Cada pessoa é um universo próprio. Cada um é diferente de qualquer outra pessoa, porisso o mestre devo ser eu mesmo. Mas para evoluir eu preciso do outro. É através do outro (qualquer pessoa) que eu vou conhecer-me. No meu estudo e na minha pesquisa o conhecimento das "técnicas" inclui os grandes sábios de todos os tempos: Lao-Tse, Buda, Moisés, Jesus, Krihnamurti, Rajneesh, Rohden,
Rudhyar, Pietro Ubaldi e Hôgen cujos ensinamentos eu conheço, mas há muitos outros.
Cada um está no caminho certo porque todas as experiências de vida são indispensáveis para iluminar o caminho da evolução. Como é que eu vou saber se o caminho está errado se eu não o experimentei? Como é que eu vou conhecer dor de queimadura se eu nunca me queimei? Ninguém conhece o Destino. Cada um tem o seu e vai conhecê-lo no seu devido tempo. Eu continuo afirmando que eu tenho a minha "verdade" e você a sua. Eu não pretendo convencer você, nem você a mim. Mas neste diálogo, se estivermos com a mente e o coração abertos, teremos proveito mútuo.
Ocorre que na nossa vida diária, tudo é direcionado para reforçar o "ego". O mundo em que vivemos é o mundo do "ego", inclusive o das igrejas organizadas. Se alguém entra em crise existencial, qual é a técnica das terapias? Reforçar o "ego". Porisso tornar-se um "indivíduo", um "eu-mesmo" é algo tão difícil.

Nós precisamos tornar-nos mestres. Este é o grande desafio. Não há outra saída. "Segundo Gurdjieff, do ponto de vista da evolução que nos é permitida, vivemos num lugar que tem uma posição muito inferior no universo. Por causa da extrema densidade das leis mecânicas que operam em nosso planeta, a auto-realização oferece dificuldades quase máximas, de modo que, embora os seres humanos sejam distinguidos com o potencial para elevar o nível do seu ser, é muito tênue a probabilidade que tem qualquer indivíduo de ser bem sucedido nessa realização. Por causa dos fatores que operam contra todos nós, o indivíduo pode ter certeza de que seu desenvolvimento interior não será fácil; ao contrario, exigirá grande compreensão e trabalho hábil, e este trabalho só pode ter início quando percebemos a verdade acerca da condição humana." Sem uma profunda crise existencial, não é possível evoluir. Se a minha vida é um "mar de rosas" eu vou é "curtir". Enquanto o "ego" não entrar em crise pelo seu egoísmo exacerbado, ele não vai procurar saídas. Porque procuraria? Não podemos concentrar-nos num único sábio, porque cada um deles mostra um caminho e como nós temos um caminho próprio devemos adaptar os seus ensinamentos à nossa realidade (por isso relacionei os que eu conheço). Temos que tomar cuidado porque os discípulos muitas vezes distorcem os seus ensinamentos. Jesus é um caso típico, porque ele não deixou nada escrito. Então muito cuidado. Já dizia Kant que o saber se adquire pela experiência. Não pretendo convencê-lo de nada pois estaria sendo egoísta. Mas, repetindo, podemos aprender muito se estivermos com o coração e a mente abertos. Afinal cada um tem a "sua "verdade.
O "egoísmo" é um aspecto do "eu". Este somente vai desaparecer com a morte física. O reforço do "ego" para superar o "egoísmo" tem uma função importante porque o egoísmo somente é percebido quando o "ego" atinge seu ponto máximo, julga-se o centro do universo, e entra em crise. O "ego" inflado (egoísmo) entra em crise quando perde a sustentação da realidade que o cerca. Ao perceber que já não pode tudo e todos os "egos" à sua volta já não o bajulam mais; quando a sua arrogância já não encontra o seu oposto, a servilismo; quando o seu autoritarismo já não encontra subserviência; quando a sua sapiência já não encontro ignorantes e quando a sua esperteza já não encontra trouxas, ele começa a desabar. É nesta crise que nós o identificamos. Esta experiência alguns chamam de "morte do ego", mas que na verdade é apenas um "golpe de estado" para que ele ocupe uma posição de harmonia na personalidade.
"O que é evolução? É o desenvolvimento progressivo de uma idéia? A transformação progressiva das espécies? Me parece que tanto num sentido como no outro a evolução é o desenvolvimento progressivo de algo que já existe potencialmente na sua origem. Na evolução, nada de novo é agregado..." escrevi este texto num outro "news" há algum tempo e parece ser o que você também pensa. A frase de Jack Hawley sintetiza magnificamente esta nossa posição: "Nós já somos aquilo que buscamos. A vida é questão de ser o que somos, e não de tentarmos nos tornar." O egoísmo é uma desarmonia, um desequilíbrio, um desajustes entre os três sistemas (id, ego e super-ego) de motivação e ação definidos por Freud e que compõe a personalidade, o verdadeiro "eu". "Ser alguém na vida" é encontrar o equilíbrio entre a "mente" e o "coração", entre as energias masculinas e femininas, entre as necessidades do corpo e do espírito. Este equilíbrio representa o verdadeiro "eu", o "eu-mesmo", o "indivíduo". Para atingirmos este equilíbrio é que precisamos desse processo de autoconhecimento.
Você dá-lhe o nome de Anseio, esta energia, esta força que brota do fundo da alma (psique) e que vai nascendo e se desenvolvendo proporcionalmente ao definhamento e morte do egoísmo. Este Anseio eu o chamo de verdadeiro "eu", em oposição ao eu-egoísta: máscara ("persona") moldada pela educação moral e religiosa que tem origens genéticas e que foi aperfeiçoado durante a vida. Expelir, jogar fora todo este lixo (pecado, perdão, culpa, castigo, recompensa e condicionamentos psicológicos) é uma catarse. É um processo natural que independe da vontade. Você tem razão. O eu-egoísta "não pode explicar este processo, pelo contrário, este Anseio é sua ruína e, por outro lado, causa da verdadeira harmonia." A auto-supressão da moral é o retorno ao estado de inocência.


EU”, “AUTORIDADE” E EVOLUÇÃO

A comunicação é uma tarefa difícil (já escrevi sobre isto neste fórum) . Cada um tem a sua realidade e as suas “verdades” . O “eu”, inflado ou não, é uma barreira mental para a comunicação do novo. Na pessoa comum a segurança psicológica está apoiada em valores que são suas “autoridades”: a Bíblia ou outros livros sagrados; autoridades religiosas; “sábios” de quaisquer correntes filosóficas; na experiência individual “cristalizada” e na experiência da “maioria” do seu grupo social (o “eu” está sempre com a maioria). Esta segurança dá prazer, satisfação. Os “eus” apoiam-se mutuamente. É a solidariedade de grupo. O grupo realiza-se através de uma crença e culturas comuns. Todos nós somos movidos pelo “eu”. Ele pode ser dominado pelo egoísmo, altruísmo, cristianismo, comunismo, budismo, nazismo, judaísmo, etc. Quem é o “eu”? Quem “sou eu”? O “eu” (“eu-mesmo”) não vai ser conhecido através de uma definição intelectual, seja religiosa ou psicológica. Conhecer o “eu”, significa conhecer-se a si mesmo, o que é impossível apenas pelo intelecto. Na mensagem “Ser alguém na Vida” relacionei alguns pontos que são essenciais para o autoconhecimento. É um trabalho individual que demanda muito tempo. É um despertar para uma nova realidade. Esta nova realidade é o mundo interior. Não é fé, não é crença. É um sentir. É consciência. (Se ele é mortal ou imortal eu não sei).
Observo a dificuldade em me comunicar porque a maioria das pessoas vêm para os fóruns e grupos de notícias para ensinar ou, então, para refutar idéias na base do “concordo” ou “discordo”, apoiados em suas “autoridades”. Ainda não encontrei alguém que tenha exposto as suas idéias baseadas no “coração”, no sentir, livre de todas as “autoridades” que também chamamos de condicionamentos psicológicos. Alguns quando não tem argumentos para contestar, usam o anonimato para agressões pessoais, quando desnudam o seu “eu” inflado (egoísmo) que divide tudo entre o certo e o errado e, logicamente, sempre se consideram certos. Somente cresceremos espiritualmente quando conseguirmos participar de debates com a mente e o coração abertos, isto é, como aprendizes. Deixando as “autoridades” de lado, estes debates promoverão a ampliação da consciência. Isto é demorado.
O “egoísmo” foi construído por todas as gerações passadas (herança genética) e aperfeiçoado durante toda a vida. Percebê-lo, porisso, é muito difícil e leva muito tempo. Nestes nossos debates o “egoísta” somente vê egoísmo nos outros. Ele projeta inconscientemente o seu egoísmo e o outro o “reflete”. Porisso eu preciso do outro para me conhecer. Se eu desenvolvi a “técnica” e estou consciente disso, eu aprendo a conhecer os meus defeitos através do outro. Se não, eu somente vejo os defeitos no outro. Quando afirmo que o outro é ignorante, egoísta, safado, irresponsável, etc.: eu estou projetando no outro tudo aquilo que eu sou. Isto, entretanto, não quer dizer que somente eu tenho defeitos. Eu identifico os meus no outro.
O homem somente evolui pelo autoconhecimento e para isto precisa do outro. E não somente isto. É necessário muito esforço, dedicação, estudos e pesquisas. Somente seremos “alguém” na vida quando conseguirmos equilibrar, harmonizar as energias da mente e do coração pelo autoconhecimento.
Eu também pertenci ao rebanho, tive as minhas “autoridades”. Eu teria sido capaz de sacrificar a minha vida pela fé e pelos meus ideais cristãos. Eu tenho esta experiência.
Somente a experiência nos torna sábios e o aprendizado é infinito. Mas para isto precisamos estar com a mente e o coração abertos. A experiência “cristalizada” é bastante comum, não somente em pessoas que passaram da meia-idade. Ela identifica-se com a pessoa que se imobilizou no tempo e no espaço. É aquela pessoa que tem certeza de que se conduz corretamente através da vida, e que tem ideais e princípios corretos. Está certa de que estas convicções pessoais devem ter aplicação geral. A rigidez de idéias com referência a si mesma e aos outros, e a tendência a encará-las como incontestáveis, apesar de todo o processo evolutivo do universo, leva-a a um padrão quase inflexível de pensamento e comportamento. Esta pessoa até tolera outras opiniões, mas considera-se o senhor da verdade. É uma pessoa coerente. Aplaudida pela massa (que o digam os políticos de plantão).
A evolução em grupo, em massa, coletivamente é uma etapa do caminho. Uma etapa muito fácil se comparada com a seguinte. Esta é solitária e nela haverá saudades daquele tempo de rebanho em que tudo era tão fácil: bastava seguir o grupo e a “autoridade”. Mas como diz a própria Bíblia: “tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”.

VERDADES, CAMINHOS

Busca-se a Verdade, a Verdade Absoluta, mas o ser humano, pelas suas limitações, é incapaz de compreendê-la. O que todas as igrejas, credos, livros sagrados e sábios de todos os tempos apresentaram e apresentam são semiverdades. Somente existem semiverdades. Cada pessoa tem a "sua verdade", que é uma semiverdade. A minha postura perante este paradoxo é libertar-me de todos os condicionamentos . Preciso jogar fora todo o lixo que acumulei (incluindo a herança genética) durante toda a minha vida e preencher o meu mundo interior, o meu reino, com a “minha” verdade que é real porque fruto da minha experiência. A “minha” verdade está em expansão. A de ontem, é diferente da de hoje, que será diferente amanhã. Afirma Pietro Ubaldi: "... da verdade se obtém um conceito novo: de que ela é algo de não codificado nem codificável, mas infinito, para cuja aproximação é imperioso trabalhar e sofrer a cada dia. Concebe-se, desta maneira, a verdade, não mais como um cômodo assento em que nos refestelamos para repousar, como o fizeram os nossos ancestrais, mas como uma íngreme ladeira que importa galgar com a própria vontade."
Então, me caro Abdu, a minha posição é esta: você pode seguir os ensinamentos de qualquer religião, ou mesmo ser ateu, agnóstico, etc. mas mantenha a mente e o coração abertos ao novo, porque a evolução do universo é real.
Para concluir:
Toda civilização e toda cultura nascem das raízes do individualismo criativo. Não foi a sociedade, mas um indivíduo quem primeiro tirou fogo de uma pedra. ... Só o indivíduo pode pensar e, pensando, criar novos valores para o mundo. Só o indivíduo pode estabelecer novos padrões morais que mostram o caminho para as gerações futuras. Sem personalidades decisivas pensando e criando de forma independente, o progresso humano é inconcebível.” (Albert Einstein, publicado em “Liberty Magazine/BP Singer Features”, USA,1933).

DEUS ESTÁ MORTO!

Esoterismo diz-se da doutrina secreta que só se revelava aos iniciados, em oposição a exoterismo, qualificativo dada àquela ensinada publicamente pelos
antigos filósofos. Nesse sentido, podemos afirmar que todos os livros sagrados são esotéricos, inclusive a Bíblia, porque exigem um conhecimento profundo para permitir a sua interpretação. Os textos da Bíblia somente tornaram-se populares com a sua tradução, inicialmente para o alemão, feita por Martinho Lutero e a invenção da imprensa por Gutenberg, ambas no século XVI.
Iniciados são os neófitos de qualquer seita ou ordem. A iniciação representa o recebimento das primeiras noções básicas da doutrina desconhecida. Esses conhecimentos são transmitidos, aos poucos, pelos Mestres de acordo com o desenvolvimento do iniciado. Mestre é aquele que ultrapassou, aquele que
está além do mundo do ego e que ingressou no mundo do Espírito. E estes são raros.
A disseminação do texto bíblico tornou-se tão popular que qualquer pessoa pode ter o seu exemplar. As interpretações tornaram-se literais e o
conhecimento esotérico ficou restrito a poucos. Os Mestres são raros como sempre o foram e são eles que tem a percepção das verdades universais que
são comuns a todas as religiões. Os símbolos da Igreja e os textos bíblicos são códigos que necessitam ser apreendidos em toda a sua complexidade e em
todo o seu verdadeiro significado. Ao fixar-se em códigos morais as igrejas cristãs afastaram-se do verdadeiro significado da religião. A Moral serve
apenas como uma norma para o exercício do poder e nada mais.
O homem intelectual, ególatra, jamais compreenderá o verdadeiro significado da doutrina cristã porque ela está além da razão e da lógica. A
interpretação dos textos dadas por sacerdotes e leigos, em sua maioria absoluta, não tem qualquer semelhança com o seu verdadeiro significado. Nem
o significado do seu símbolo maior, a Cruz, eles são capazes de compreender. A Igreja se intelectualizou e desviou-se totalmente do verdadeiro sentido da
sua doutrina. Nietzsche estava e continua absolutamente certo; Deus está morto! Sim, o Deus das igrejas que se dizem, mas não tem nada de cristãs, está morto.


INTERPRETAÇÃO DOS EVANGELHOS


A tão propalada concepção "sem pecado original", isto é, sem sexo, é algo que permeia toda a doutrina da igreja católica. Virgem imaculada, como se o sexo fosse uma mácula, uma mancha, fosse algo sujo e impuro. A não aceitação de Jesus como um homem de carne e osso que somente superou a sua condição humana inconsciente após renascer pelo Espírito, é um dos grandes entraves para o conhecimento da verdadeira mensagem de Jesus. O nascimento do Cristo é um processo espiritual e o dogma da Virgem Maria torna-se, neste caso, algo supérfluo.
A paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus representam a morte do ego, acompanhada de intenso sofrimento, e a ressurreição, o renascimento pelo Espírito. Esta é uma experiência individual. Cada ser humano ao passar para o mundo do ser, do espírito sofrerá a sua paixão e morte para que renasça pelo espírito.
A cruz, cujo modelo básico é sempre a intersecção de dois segmentos retos, um vertical e outro horizontal, representa a conjunção dos opostos: o eixo vertical (masculino) com o eixo horizontal (feminino); o positivo com o negativo; o homem com a mulher; o superior com o inferior; o tempo com o espaço; o ativo com o passivo; o sol com a lua; a vida com a morte; etc. A união dos opostos é a idéia central contida na simbologia da crucificação de Cristo, e a razão pela qual a cruz foi escolhida como emblema magno do cristianismo. A união dos opostos é a autotransformação, a individuação, o renascimento.
Os peixes tem um simbolismo complexo que representa a fecundidade (por sua abundância de ovos) e também um sentido fálico. Num sentido psicológico profundo são considerados criaturas do inconsciente. Ele é o símbolo do cristianismo primitivo porque representa a vida profunda, o mundo espiritual que existe sob o mundo das aparências e a força da vida em seu perpétuo movimento de elevação. Sempre que nos evangelhos aparecem peixes devemos direcionar a interpretação nesse sentido.
Por enquanto, restrinjo-me, as essas passagens que considero básicas para entender os Evangelhos.


IN NOMINE DEI

Acabo de ler "In Nomine Dei" de José Saramago, peça de teatro escrita em 1993, dois anos após "O Evangelho de Jesus Cristo". São dois livros indispensáveis a qualquer pessoa que estude a doutrina cristã. Às vezes me surpreendo com o ódio e o preconceito que muitas pessoas, principalmente católicos, devotam ao autor. Na verdade, a fé cega, cria uma barreira mental e afetiva. A pessoa torna-se impermeável, rejeita a priori, tudo o que vai contra a sua verdade. É uma autolimitação difícil de explicar porque irracional.
O nível de consciência é um referencial entre os seres humanos independentemente do seu nível intelectual. Não são os títulos de graduação, pós-graduação, PhD ou Doutor "honoris causa" que conferem consciência de vida. A ampliação da consciência é promovida pela natureza, pela lei da evolução. Manifesta-se como uma necessidade interior. É um processo em que há a transferência de conteúdos inconscientes para a consciência. No inconsciente estão guardados todos os segredos e todos os mistérios do universo. Com a ampliação da consciência são "iluminados" conteúdos inconscientes e chega-se ao que podemos chamar de fé consciente que é um saber, uma "iluminação".
A fé cega e o preconceito estão nas etapas iniciais da evolução. A fé consciente irá mostrar que o homem inconsciente tem apenas uma visão ilusória da realidade.


NASCIMENTOO DO CRISTO

CONCEBIDO SEM PECADO ORIGINAL

Todos os livros e doutrinas religiosas devem ser analisados e interpretados num sentido espiritual. Não podemos analisá-los sob a perspectiva do ego cuja consciência está no plano material. A concepção
divina e a virgindade da mãe devem ser analisados e partir daquela perspectiva. Deve-se observar ainda que de acordo com esta análise, a virgindade da mãe não é lesada nem pela concepção, nem pelo parto.
Quem é o Cristo, o Filho, o Ungido de Deus? Quem são os Mensageiros Divinos? E os Messias (Avatares)? Todos estes nomes podem ser resumidos em "Cristo, o Filho de Deus". Todos os Avatares, Messias, Mensageiros Divinos, Cristos e Iluminados foram e são seres humanos, filhos de uma mulher e de um varão, concebidos e nascidos como qualquer outro humano. O homem, desde a concepção tem um corpo físico e um corpo imaterial com toda as suas funções potencialmente disponíveis. A energia e o corpo formam uma unidade interdependente.
A personalidade em suas motivações e ações divide-se em id, ego ("eu") e superego (Freud). No id estão as forças profundas, naturais e involuntárias
que governam a vida; o "eu" é o centro da consciência e o superego a sua consciência moral construída pela interação com o meio e a educação. No id localiza-se, também, a "centelha divina", a parcela da inteligência
cósmica, o "Cristo", energia adormecida no inconsciente humano que espera a oportunidade, a hora e as condições favoráveis para manifestar-se.
Revela-se como uma ânsia de liberdade que vai crescendo e sobre o qual o ego (superego) não tem poderes porque é instintiva, e foge portanto, ao seu
controle. Neste processo longo e doloroso o ego será destruído e nascerá um novo ser humano dominado pelo espírito, o Cristo, o Mestre, o homem
Iluminado. Ele nasce da alma humana, concebido pelo poder Divino, por ser uma centelha Dele, cuja virgindade não é lesada nem pela concepção, nem pelo parto. O Cristo nascido da alma uniu os opostos, positivo e negativo, masculino e feminino, consciente e inconsciente, racional e intuitivo, o céu e a terra. Ele é filho de Deus - Complexio Oppositorum.
Este é o nascimento imaculado de um Mestre, de um Avatar, de um Messias, de um Iluminado, do Cristo, o Filho de Deus.

MÃOS UNIDAS EM PRECE

As mãos unidas em prece procuram ativar a ligação entre os pólos energéticos do ser humano: esquerdo e direito, positivo e negativo, masculino e
feminino, consciente e inconsciente, racional e intuitivo. As mãos unidas em prece simbolizam a busca do equilíbrio entre os opostos e é o que há de mais significativo na vida. Os opostos, harmonizados, se neutralizam, constituindo a Unidade. Esta Unidade é o ponto energético, o "eu" que vibra dentro do Espírito Universal. Assim como o símbolo da cruz, as mãos unidas em prece representam a união dos opostos, a harmonia e a unidade que somente acontecerá com a auto-supressão da consciência moral. A natureza não tem pressa. Tudo tem o
seu tempo

ANEXO

PAIXÃO DA ALMA

(Neurose)

Para que os ramos de uma árvore cheguem ao céu, as suas raízes devem chegar ao inferno. (Máxima alquímica Medieval).

Ponto de vista 1:

Neurose é o transtorno psíquico que não se faz acompanhar de grave desintegração da personalidade. Refere-se ao tipo da adaptação que uma pessoa realiza a certas situações, às quais inconscientemente atribui a capacidade de gerar inquietação e ansiedade. O tipo de adaptação constitui a natureza da neurose. A causa é de ordinário a existência, dentro da pessoa, de um conflito emocional, desejos contraditórios, em geral de natureza muito complexa.
As emoções são impulsos para o agir, planos instantâneos para lidar com a vida. Os estados emocionais que tipificam a nossa vida emocional decorrem da loteria genética, vão da ousadia à timidez. Pessoas de temperamento agressivo presumem a ameaça e partem para a ação. Desafiam as regras, tornam-se rejeitados pelos colegas, podem chegar em casos extremos às drogas e à delinqüência. Os deprimidos apresentam dificuldades no relacionamento e para reagir às derrotas da vida. A emoção abafada resulta em embotamento, distância. A emoção extremada reverte-se em depressão, ansiedade.
A angústia é, de fato, o fenômeno básico da neurose. A angústia ou ansiedade é a tensa, desagradável e absorvente expectativa fisiopsíquica de um perigo iminente, cuja fonte é imaginária, desconhecida ou exageradamente avaliada. É o medo vago, sem causa, indefinível, que parece vir "de dentro da alma". Há gradações, da simples intranqüilidade até a angústia terrível e catastrófica. Os sintomas específicos (angústia, fobias, obsessões, conversões e certas inibições - a impotência sexual, p. ex.). e os acessórios (depressão, hipocondria, irritabilidade, insônia, dores de cabeça, vertigens, taquicardia ou prisão de ventre, dores e espasmos em qualquer parte do corpo, tremores, paralisias, cegueira, convulsões, etc.) se mesclam, em cada caso, sob proporções variáveis, bastante individualizadas. A neurastenia se caracteriza, entre outras manifestações, por dor de cabeça, tonteiras, insônia, irritabilidade, hipocondria, astenia ou cansaço fácil, intolerância aos ruídos, impotência.
É um ciclo vicioso que passa as dificuldades de geração em geração, mesmo que elas mudem de forma.
***
Ponto de vista 2:
O encontro com o inconsciente é determinado pelo destino; o homem natural nem suspeita sua existência até que um dia se vê mergulhado nele. É um processo psíquico por excelência. O objetivo essencial é o desenvolvimento da consciência, isto é, em primeiro lugar a tomada de consciência dos conteúdos até então projetados. Este esforço leva pouco a pouco ao conhecimento do outro, bem como ao conhecimento de si e assim, a distinguir o que a pessoa é na realidade daquilo que nela é projetado ou que ela fantasia a seu respeito. Neste processo estamos tão empenhados em nosso próprio esforço, que mal percebemos a que ponto a natureza nos impele e nos ajuda: em outras palavras, mal percebemos o quanto o instinto está interessado em atingir esse nível superior de consciência.” Esse impulso em direção a uma consciência superior e mais ampla tem o objetivo de reconstituir o ser humano na sua totalidade, unificando o masculino e o feminino, o eu consciente e o inconsciente, “ou seja, compor aquele homem primordial, bissexuado, que se basta a si mesmo.” É dentro de si mesmo que ele vai buscar compor e encontrar a sua totalidade.
A união do consciente ou da personalidade do eu (masculino ou feminino) com o inconsciente personificado pela anima (feminino ou masculino) gera uma nova personalidade que compreende esses dois componentes; a nova personalidade não é, de forma alguma, um terceiro termo entre o consciente e o inconsciente, ela é os dois. Ela transcende a consciência e por esta razão já não deve ser definida como eu, mas sim como si-mesmo.
A integração do si-mesmo é, no fundo, um problema da segunda metade da vida e acontece quando o inconsciente invade a consciência, inundando-a com os seus arquétipos (Jung).

Ponto de vista 3:

O sofrimento é resultante da escolha. A escolha é a satisfação de um desejo, de uma vontade, é produto da mente e não do sentir. A mente deve agir em consonância com o sentir. Somos infelizes por termos permitido que a mente separe os nossos objetivos do nosso fim último. Deste modo, somos arrastados para bem longe pela ação dos meios. A morte autêntica acontece quando cessam todas as nossas ilusões, quando deixamos de viver num mundo de expectativas, emoções, idéias, hábitos, passado e futuro. Então, encontramos a paz. São inúteis as idéias e intenções de transformar, pois só geram sofrimento. Ao libertarmo-nos da longa fixação dos nossos hábitos não seguimos nem obedecemos a nenhum destino fixo; passamos a aceitar plenamente tudo o que as nossas vidas nos trouxerem como frutos da verdadeira liberdade. Toda a infelicidade, todo o sofrimento e todas as poluições provêm da nossa mente.( (Hôgen)
Em todo homem pulsa o movimento que procede do Tao e tende a levá-lo de volta a ele. Mas o homem se deixa cegar pelos sentidos e pelos desejos. É ele próprio que busca a volúpia, a alegria, o ódio, a fama e as riquezas. Seus movimentos buscam a violência e desencadeiam tempestades, seu ritmo é uma ascensão impetuosa seguida de uma queda brusca e vertical. Desesperado ele se apega a tudo o que é irreal. A natureza de seus desejos o conduz à multiplicidade, de tal modo que ele não consegue mais sequer conceber o Único. E quando deseja a sabedoria e a bondade, é uma catástrofe ainda pior. Não resta senão um remédio: voltar à Origem, ao Repouso, ao Tao (Lao Tse).


Bibliografia:

- ARROYO, Stephen - Astrologia, Karma e Transformação - Publicações Europa-América Lda. - Portugal
- JUNG, Carl Gustav - OBRAS COMPLETAS DE C. G. JUNG - Ed. Vozes, Petrópolis, 1987.
- KHRISNAMURTI, Jiddu - "Paz no Coração"- Ediouro; "A Libertação dos Condicionamentos" e "Como Viver Neste Mundo"- Instituição Cultural Krishnamurti - Rio de Janeiro.
- UBALDI, Pietro - http://www.wm.com.br/~simoes/
pietro.htm
- RAJNEESH, Bhagwan Shree - Tantra - Sexo e Espiritualidade - Ed. ÁGORA Ltda. - São Paulo.
- ROHDEN, Huberto, in TAO TE KING - O Livro que Revela Deus - A Voz do Silêncio - Lúcifer e Logos - O Caminho da Felicidade - Filosofia Cósmica do Evangelho - Ed. Alvorada - São Paulo.
- RUDHYAR, Dane - Tríptico Astrológico - Ed. Pensamento - São Paulo, 1987.






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