APRESENTAÇÃO
Quem
sou eu? É a pergunta que surge durante uma crise existencial.
Quem, ou qual é a origem deste desejo de conhecer-se a si mesmo? O
ato de vontade é, em princípio, voluntário, isto é, aquele em que
o indivíduo tem consciência dos meios e das finalidades de sua
conduta; o indivíduo procura atingir um objetivo por ele mesmo
proposto, tendo consciência dessa tentativa.
Neste
caso, o ato de agir tem uma origem, uma causa inconsciente. Este ato
de vontade não tem origem no “eu” formado pela percepção que
forma a consciência de si mesmo. Ele tem origem naquelas forças
profundas e involuntárias que governam a vida: os instintos.
Por
que?
De
alguma forma inconsciente a minha primeira busca foi pelo “pai”.
Foi instintivo. Eu procurava uma resposta sem saber onde encontrá-la.
Uma caminhada na escuridão, no desconhecido que tem como única
motivação a vontade de chegar. O caminho vai sendo construído
durante a caminhada. “A Casa do Meu Pai” é o local de chegada,
de descanso, paz, liberdade e harmonia.
Somente
mais tarde fui perceber que o “pai” que eu buscava era Deus.
Durante a caminhada fui coletando percepções registradas num diário
que organizei sob a forma de livro.
Romeu
Pitz
A
COMUNICAÇÃO
O
amor ou a simpatia é a sintonia num determinado nível de vibração
emocional. A disponibilidade e a receptividade criam o diálogo e
ativam a troca de energias. Isto pode ocorrer entre duas pessoas,
entre um grupo de pessoas ou de um grupo com o seu líder.
A
comunicação é fácil quando dizemos o que as pessoas querem ouvir,
é a técnica dos políticos. A dificuldade de comunicação surge
quando queremos transmitir algo novo e diferente, algo que foge do
cotidiano, da relações normais entre as pessoas, do seu
condicionamento psicológico. Afinal, para idéias novas exige-se
esforço, dedicação e tempo, principalmente, quando essas idéias
se relacionam a autos de fé, de crenças, de algo enraizado
profundamente no consciente e no inconsciente da pessoa. Observamos
que muitos têm verdadeiros escudos, barreiras mentais e emocionais
que bloqueiam qualquer esforço no sentido de aceitar algo novo. O
condicionamento psicológico, na maioria das pessoas, rechaça
qualquer tentativa de aceitar algo que possa interferir no seu
convencimento pessoal. A abertura mental e emocional, a curiosidade
ao novo, ao diferente, é uma qualidade que poucas pessoas tem ou
alimentam. O novo ou o diferente quando apresentado no nosso mundo
exterior, material sempre é bem-vindo e aplaudido. Quando refere-se
ao mundo interior a situação muda. As nossas convicções, a nossa
crença, a nossa fé e os nossos valores morais representam a nossa
segurança psicológica. Muitas pessoas sentem um verdadeiro pavor,
sentem-se extremamente inseguras quando são levadas a rever, a
reavaliar o seu mundo interior. Outras, simplesmente nem admitem que
se fale do assunto. São peculiaridades que devemos respeitar. Abrir
o coração ao novo, entretanto, é evolução.
O
INÍCIO
Nem
todos vivenciam de maneira consciente as mudanças psíquicas que
ocorrem após a meia idade, ou mais especificamente, no período de
vida que se inicia entre os 35 e os 40 anos.
Alguns,
gradativamente, se adaptam a uma outra perspectiva de vida e,
dificilmente, se dão conta das mudanças internas, e vivem este
período sem maiores dificuldades. Outros, passam por uma crise
existencial, com questionamentos sobre o significado da vida e o
propósito de suas atividades. Há duas situações extremas neste
processo, embora a maioria das pessoas se situe numa posição
intermediária. É verdade também, que cada um vivencia de maneira
particular e única, cada uma das etapas da evolução.
Num dos
extremos, estão aqueles que tem certeza de que se conduzem
corretamente através da vida, e que tem ideais e princípios
corretos. Estão certos de que estas convicções pessoais devem ter
aplicação geral. A rigidez de idéias com referência a si mesmos e
aos outros, e a tendência a encará-las como incontestáveis, apesar
de todo o processo evolutivo do universo, podem levar a um padrão
quase inflexível de pensamento e comportamento. Estas pessoas até
toleram outras opiniões, mas consideram-se os senhores da verdade.
No
outro extremo estão os que entram num período conturbado de
sentimentos e ansiedade indefinidos. Um novo sentimento de tensão
relativo a sua própria personalidade dará uma sensação de
insatisfação, de vazio e de não-preenchimento. Sofrem
terrivelmente sem que saibam porque e entram numa crise existencial,
definida por Jung como paixão da alma (passio animi). É o processo
de evolução, para uma consciência mais ampla e profunda.
Se
acontece inconscientemente, projeta-se “em símbolos coletivos,
em mitos, religiões, filosofias, através dos quais, aqueles
que a eles aderem, recebem uma certa animação. Mas então, o fim
da evolução fica tão obscuro quanto seu princípio”.
Quando
o processo é consciente, “tantas obscuridades são
iluminadas, que de um lado, toda a personalidade fica iluminada
e de outro, o consciente ganha, infalivelmente, uma amplitude e
profundidade.”(C. G. Jung).
AJUDAR,
PARA QUE?
Este
tema é explosivo e muitos preferem não se expor porque dificilmente
serão compreendidos. Mas eu entendo que é uma oportunidade para
reflexão.
Eu
sei que nem todos aceitam porque ainda não comprovaram pessoalmente
a ampliação da consciência que Saramago chama de “desenvolvimento
moral”. Parece-me que as religiões organizadas também não a
aceitam (recebi inclusive um e-mail agressivo de um religioso em que
ele afirma que a lei da evolução somente se aplica aos bichos
(sic)). Para quem ainda não consegue comprovar pessoalmente a
“evolução” da consciência obviamente que as minhas afirmações
são um absurdo, uma heresia, afinal a compaixão é a base das
religiões cristãs. “Ama o teu próximo como a ti mesmo” passou
a ser um lema com interpretação literal. Esotericamente,
espiritualmente, a palavra “amor” tem um sentido de ser. Este
“amor” está além da paixão e do sentimento. Este “amor” é
um estado de espírito, de unidade com o todo. A compaixão não é
uma qualidade do espírito porque ela está ligada ao nosso corpo
emocional.
Cada
pessoa pode dar uma interpretação pessoal à história do lavrador
e de sua vaquinha, mas, para mim, ela tem um profundo simbolismo.
Este conto deve ser analisado sob o amplo aspecto do ter e do ser e,
acima de tudo, sob a lei da “evolução”. Este conto insere-se
nos ditos populares de que “há males que vem para o bem” e
“Deus escreve certo por linhas tortas”.
A
vida é luta. No mundo animal quando o ser se acomoda ou não
consegue adaptar-se ao meio ele será eliminado porque somente os
mais aptos vão sobreviver. Para o homem será diferente? Para que o
homem tem tamanha inteligência? O que é inteligência senão a
capacidade de adaptar-se para sobreviver? O que acontece com o homem
acomodado, apático, “parado”, indiferente, lamentando-se de sua
infelicidade, do seu destino cruel e esperando que os outros resolvam
os problemas seus? Ele é apenas um sanguessuga, um parasita da
sociedade (por favor, analisem com objetividade). Sim, ele precisa
ser ajudado, não resta a menor dúvida. O homem tem esta capacidade
de ajudar, de prestar solidariedade. Isto faz parte da nossa
natureza, isto é o que de mais sagrado existe. Ajudar é despertar o
outro para a sua realidade, é fazê-lo ver que somente poderá
evoluir, em todos os sentidos, pelo esforço pessoal, pelo estudo e
pelo trabalho. Dar-lhe a mão sim e, se necessário for, jogar a sua
“vaquinha” no brejo para que ele desperte, saia do seu comodismo,
da sua preguiça. Não é por acaso que a preguiça está relacionada
entre os sete pecados capitais. O mundo não é injusto nem desumano.
A lei cósmica, que alguns chamam de Deus, é de uma justiça
absoluta. Tudo o que somos e temos é proporcional ao nosso mérito.
Observem
que “o sábio” do conto representa a lei cósmica. Quantas vezes
a nossa “vaquinha” foi para o brejo em acontecimentos trágicos
que chamamos de destino. Foi naquela oportunidade que nós demos um
salto, positivo ou negativo, na nossa vida. É nos momentos de
crises, de dificuldades de toda ordem que somos chamados a fazer uso
da nossa inteligência, da nossa capacidade criativa. Se não nos
deixarmos abater pela apatia e pela preguiça iremos sobreviver ainda
mais fortes para novos desafios que a vida nos irá trazer.
Por
um lado existe a lei da cósmica da evolução: "Tudo é um
eterno vir a ser". "Assim como o Universo, todos os seus
elementos estão em expansão, em crescimento, em evolução, cada
qual segundo a sua natureza atual. Mas todos os elementos do cosmos
são regidos pelas mesmas leis, pois tudo tem origem
num único
princípio criador do universo. O homem existe para crescer, evoluir,
progredir, aperfeiçoar-se. Ele não pode parar. Quem pára morre
porque se opõe à lei da evolução contínua que é infinitamente
mais forte que
sua fragilidade de "elemento" cósmico."
A dor motiva o ser humano a procurar saídas e nesta procura ele
evolui. Isto é instintivo. Neste aspecto nós não somos diferentes
dos outros animais.
Por
outro lado se este ser não tem consciência e a capacidade natural
de evoluir dificilmente uma "sacudidela" irá despertá-lo.
Normalmente, estas
pessoas, orientadas por outros que se dizem
espertos, acreditam que são uns injustiçados e se julgam no direito
de continuar na sua porque os que tem mais tem a obrigação de
mantê-los. Não são todos, obviamente. Se observarmos este quadro
atentamente verificaremos que tudo acontece de acordo com uma lógica
e justiça absolutas. Há pessoas incapazes de evoluir e nós não
temos o poder de mudar este quadro. Podemos até tentar e ajudar, mas
cada um desperta individualmente ou, talvez, nem desperte.
KARMA,
ESCOLHAS E LIBERTAÇÃO
O
Você não escolhe entre o Bem e Mal.
Você não escolhe entre fazer o bem e o mal. A escolha é feita por uma força superior. Quem escolhe é o seu DNA. “O DNA determina a nossa estrutura física e as nossas características mentais. Ele é um composto orgânico cujas moléculas contém as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e que transmitem as suas características hereditárias.“ (Wikipédia)
Esta minha afirmação contraria todo o condicionamento a que a pessoa (o Ego) é submetido por toda uma vida. Isto é, dependendo do nível de força do seu DNA, o condicionamento não funciona. Você pode arrepender-se e reparar a ação, se for possível. Esta ação de arrependimento, entretanto, também deve fazer parte do seu DNA.
O destino não é senão o desenvolvimento de uma trajetória que é programada pelo DNA a cujo percurso estamos inexoravelmente ligados pela lei de causa e efeito.
A mais profunda realidade da vida é que os acontecimentos que a constituem não ocorrem de forma desordenada e por acaso, antes estão logicamente ligados, para cada indivíduo, ao longo do fio de seu destino.
A escolha de hoje está condicionada pelas escolhas que fiz durante toda a minha vida, na maioria das vezes, inconscientemente, isto é, não avaliando as repercussões e os desdobramentos futuros. Cada escolha, cada ato de vontade, cada satisfação de desejo é um fio que me amarra. Cada escolha que fiz representa um vínculo. De certa forma, sou prisioneiro das escolhas que fiz no passado.
A questão passa a ser esta: como poderá uma pessoa libertar-se das cadeias forjadas pelo seu passado? Impossível. Na vida não se pode voltar, somente ir em frente ou isolar-se. Mas tentamos e podemos corrigi-las. (Revisto)
ACONTECEU
Ao
olhar para o passado vejo a grande caminhada que já fiz. Na
meia-idade, ao ver desmoronar todas as minhas verdades, todas as
minhas certezas fui tomado por uma grande sensação de inutilidade,
de injustiça, de humilhação, de ameaça à auto estima e à
dignidade .
Por
que?, como? Eu necessitava descobrir, experimentar e buscar a
verdade.
Nesta
pesquisa aprendi a usar a inteligência, trocar informações,
observar e experimentar. Com o somatório de todas estas informações
o campo da percepção, da consciência foi-se ampliando
progressivamente. As emoções acompanham o processo provocando
crises que pareciam intermináveis. Quando pensava ter encontrado a
verdade, me rejubilava, para, logo após, em nova crise, verificar
que havia encontrado apenas uma pequena faceta de algo muito maior.
No sentido figurado, o cérebro assemelha-se a uma colméia cujas
células aos poucos vão-se iluminando e expulsando a escuridão.
Cada célula iluminada é uma nova realidade que se apresenta. Cada
vez mais profundamente vou iluminando mais e mais cubículos,
partículas de um todo que aos poucos, muito lentamente, vou
descobrindo. Noite escura, silenciosa e sombria do inconsciente.
“Onde estou? A cabeça dói... Não consigo pensar,
raciocinar.... vai passar. A lama preta, viscosa me envolve, me
cobre... Quero respirar, preciso de ar... Um lampejo. Quero sair
daqui... uma saída, deve haver uma saída. Apenas lembranças.
Medos... culpas... A cabeça dói. Estou só. A realidade, sim a
realidade... Lama negra, as trevas, o silêncio e a solidão.”
Aos
poucos as trevas se dissipam para voltarem novamente. Sei que não há
um começo ou um fim, pois a vida é um círculo: quando penso que
cheguei ao final da jornada verifico que estou recomeçando.
A
minha crise existencial era um nó górdio.(Os profissionais da área
desconhecem, ou fingem desconhecer e, no meu caso, a chamam de
"neurose crônica"). Eu tinha a solução, mas a
consciência estava fragmentada. Não era um quebra-cabeças comum em
que aos poucos a mente vai juntando as peças e monta a figura. As
peças deste estavam espalhadas e, olhando para elas, eu queria
montar determinada figura. Este querer impedia que eu enxergasse o
conjunto. Foi o querer que me colocou num labirinto em que eu não
encontrava a saída. A mente hipnotizada não encontrava a solução.
Parar de lutar, perder toda a esperança e deixar acontecer tomaram
seu verdadeiro significado e despertei para a realidade. Isolei-me e
aconteceu... o quebra-cabeças se montou.
Compreendi
a seguinte o quebra-cabeças.
A
luta entre a minha consciência moral e os instintos era a origem
desta crise. O fortalecimento do “eu”, livre de falsos valores,
em harmonia com os instintos e a nova consciência moral representa o
fim da luta interna. A harmonia não é inércia mas um constante
estar em alerta e viver o aqui e o agora.
"Pois
agir não é meramente brincar
um
brinquedo doido, planejado.
Agir
não é salto de angústia mortal
que
nos dê o agora desejado.
Agir
é viver sempre observando as coisas,
tudo
que se passa ao nossa lado."
(Morten
Nielsen)
"O
tempo nos dá todas as respostas, se conseguirmos ser pacientes."
(Hôgen)
(25/8/98).
Todo
o raciocínio, todo esforço para promover uma compreensão do “eu”
parecia fadada ao insucesso. Como poderia o “eu” compreender-se a
si mesmo? Foram tantas as informações acumuladas que o “eu”
percorreu todos os arquivos da memória e experimentou todas as que
assinalavam saídas existenciais. Na verdade, todo caminho tem saídas
basta acreditar nele e é isto o que faz, inconscientemente, a
maioria das pessoas. Eu trilhei muitos para ter a consciência, o
direito de opção. O meu caminho é consciente, mesmo que seja o da
“não escolha”. A luta travada entre os valores da consciência
moral e os instintos, onde conheci o autêntico inferno de Dante,
fortaleceu o verdadeiro eu. Agora, posso afirmar que “eu sou mais
eu”.
No
fluxo e refluxo da maré das energias cósmicas aos poucos estou
encontrando as repostas para a minha existência. A dor e a
desesperança fazem parte deste quadro. As trevas em que eu estava
mergulhado e que habitavam os meus pesadelos estão dissipando-se aos
poucos para dar lugar a uma luz suave que habita as minhas emoções,
lembranças de criança, quando caminhava, sob lua cheia, na
companhia do meu pai, pelas madrugadas do sertão. Esta luz está
iluminando a minha mente e fazendo-me cada vez mais consciente de que
este é o meu caminho. O caminho do profundo silêncio em harmonia
com a alma universal.
COERÊNCIA
E LIBERDADE
Sou
uma pessoa totalmente aberta ao novo. Isto cria dificuldades porque
as minhas convicções de ontem talvez já não sejam as de hoje e,
provavelmente, serão diferentes amanhã. Vivi e vivo a vida tão
intensamente, a meu modo, que a morte não me assusta. Os intensos
desejos que tem origem no “id”, e não mais no “superego”,
não servem de embaraço, porque, harmonizados, mantém o prazer de
viver.
A
FÉ
Eu
acreditei num Deus todo-poderoso criador do céu e da terra e que
controlava a minha vida. Esta era uma Verdade Absoluta. Hoje eu sinto
que Deus não é um ser externo a mim e também não sou filho de
Deus: eu sou um ponto de energia que vibra dentro da Alma Universal
que é Deus; eu não sou Deus mas estou nele que é o Todo. Quando
estou em harmonia comigo mesmo eu entro na mesma vibração da Alma
Universal que é paz, harmonia e amor ( o que é diferente de
felicidade, porque felicidade é emoção). Para chegar a esta
consciência de Deus passei por diversas etapas e não posso afirmar
que esta última seja a definitiva.
Eu
aprendi na escola e na religião que, pela vontade de poder, eu podia
subordinar os meus instintos à razão. Eu poderia ser um espírito
tão perfeito e poderoso, que tanto no mundo físico como no
espiritual os limites eram os meus sonhos: QUERER É PODER! Mas o
Destino me aplicou lições tão duras e dolorosas que aprendi “na
marra”. Agora sei que eu somente aprendo com os meus erros, isto é,
pela experiência e que a vontade de poder é necessária para que eu
perceba que a evolução (as forças inconscientes) é mais forte do
que o meu falso eu (superego).
APEGO
E EGOÍSMO
Aprendi
que “amar o teu próximo como a ti mesmo” era a máxima da
convivência social e o lema do cristianismo. Aprendi que Amar é
fazer o bem ao próximo; é a paixão (atração física) entre duas
pessoas; também é o amor a Deus, o amor paterno, fraterno e a
amizade; como também o amor ao meu dinheiro, ao meu carro importado,
etc.; assim como amor também é o sentimento de solidariedade,
altruísmo, etc. Todos estes amores tem um elo comum: a dependência
psicológica, ou seja, o apego. Dependência psicológica é uma
qualidade do egoísmo. Conclusão, o amor que eu conheço é egoísta.
Se todas as religiões tem o objetivo de suprimir o egoísmo, o
“amar” a que se referia Jesus não é o amor que eu conheço.
Eu
não sabia o que era egoísmo. Descobri-lo foi a etapa seguinte.
Descobrir, perceber, ter consciência do que é egoísmo foi uma
experiência muito forte.. Liberdade é amor e harmonia. Liberdade é
estar livre dos conceitos de: amor e ódio; apego; escolha;
dependência psicológica; vontade de poder; vida e morte; direitos e
deveres; justiça e injustiça; certo e errado; Deus e Diabo; bem e
mal; ter e ser; pecado e perdão; culpa e castigo; céu e inferno;
felicidade e infelicidade; sofrimento e prazer; fé e esperança;
ontem e amanhã; humildade e modéstia; pobreza e riqueza. Amor é
Liberdade.
A
minha consciência da realidade, da vida mudou radicalmente. Mas
foram etapas progressivas. Esta mudança só foi possível através
do esforço pessoal em estudos e pesquisas, usando as doutrinas de
todos os mestres e sábios, indistintamente, para adaptá-las ao meu
“eu verdadeiro”, dialogando com o outro (que muitas vezes me
ajuda muitíssimo sem saber) e através da auto-observação.
Entretanto, toda esta experiência é individual e como tal eu não
posso transferi-la.
EROS
E TANATOS - Nós não somos inocentes
Você
conhece o ser humano? Homo sapiens, sapiens? “Existem sem dúvida
espécimes isolados de homo sapiens, mas o grosso da humanidade é
composto do tipo homo intelligens, ou até do homo sentiens, o homem
sensitivo com ligeiro verniz de intelectualidade. A sapiência ou
sabedoria é algo incomparavelmente superior à simples inteligência.
A inteligência é analítica, indutiva, silogística ao passo que a
sabedoria é sintética, dedutiva, panorâmica. O homem sapiente
seria aquele homem racional, espiritual, o homem-crístico, o homem
univérsico, que está latente no homem de hoje, porém, não
desenvolvido”. (1)
Você
conhece o ser humano?
O
soldado valente, corajoso, destemido, que recebe o maior número de
medalhas em combate por bravura é, geralmente, aquele que faz o que
gosta; ele tem um grande prazer, ele se realiza naquilo que faz:
matar o seu semelhante, o seu inimigo. Em tempo de paz ele seria um
assassino. Na guerra da Coréia, um soldado americano, extremamente
estressado, cansado, com sono, mas responsável, fuzilou os
prisioneiros que estavam sob sua guarda, deitou-se e dormiu. Você
conhece o ser humano?
E
aquele jovem que, cedo, levanta-se da cama, com um pé-de-cabra vai
até o quarto da mãe, esfacela-lhe a cabeça e, em seguida, tenta o
suicídio. Ele confessa: - Eu me lembro de tudo o que fiz. Foi uma
força incontrolável que apoderou-se de mim. Uma semana depois morre
e é sepultado junto ao túmulo da mãe. O maníaco do parque de São
Paulo (motoboy) confessou que, levado por forças involuntárias,
matou nove ou dez mulheres. Pede para ficar preso o resto de sua
vida. Você conhece o ser humano?
Vampiros
existem? “Segundo alergistas americanos da universidade de Idaho, a
ânsia por sangue é causada por dependência alérgica de alimentos
ricos em proteínas. Na psicologia diz-se que sofrem de Hematomania,
um fetiche de sangue onde o prazer sexual entre outras necessidades
psicológicas dos indivíduos são atendidas por um consumo regular
de sangue humano (por vezes também consome-se carne humana).” (2)
Você conhece o ser humano?
Hitler,
Madre Teresa de Calcutá, Jesus, Judas, Stalin, Mozart, Mao Tse Tung,
São Francisco de Assis, Átila - Rei dos Hunos, Maomé, Jack - o
estripador, Júlio César, Brutus, Napoleão, Calabar, Einstein foram
seres humanos; o maníaco do Parque, o assassino de médicos, o
estuprador, o assassino em série e o seqüestrador são seres
humanos; alguns agem individualmente, outros individualmente são
covardes, mas em grupo transformam-se em monstros; o santo e o
pecador todos são seres humanos. Você conhece o ser humano?
Roden,
Huberto - Lúcifer e Logos - Ed. Alvorada, São Paulo
Massapust,
Shirlei - O Movimento Vampiro -
http://www.ufsm.br/malkavian/all/movimento-vampiro.html
AMOR,
SEXO E PAIXÃO
O
corpo humano possui dois pólos energéticos identificados como
positivo e negativo, masculino e feminino, consciente e inconsciente,
racional e intuitivo. O predomínio ou equilíbrio de um
deles, identifica características individuais. O predomínio da
energia não caracteriza o corpo físico pois um corpo
masculino pode ter o predomínio de energia feminina e vice-versa. Os
pólos opostos se atraem.
Sexualidade
e espiritualidade são dois extremos da energia. O sexo é a energia
bruta, rude, primária, paixão que pode transformar-se numa energia
refinada, pura, em um sentimento espiritual. Transformar a energia
sexual é uma experiência que leva o homem ao centro de si mesmo, a
tornar-se uma Unidade. [Nicolau de Cusa definiu o próprio Deus como
uma complexio opositorum (união dos opostos)].
Sexo
é o encontro de energia positiva e negativa que leva a pessoa ao
encontro do Uno, da unificação, do encontro consigo mesmo.
Todo
ser humano é possuidor de energia masculina e feminina. O que há é
um predomínio de determinado pólo energético ou até de um
equilíbrio. Há uma união, uma troca de energias, da mesma forma
que um polo positivo e outro negativo são necessários para acender
uma lâmpada. É necessário sentir a energia fluir entre os dois
corpos suavemente, sem oposição de qualquer espécie. O sexo não
deve ser uma luta, mas uma entrega. Esta é uma experiência de
"iluminação". Os seres mais evoluídos conseguem chegar a
um equilíbrio harmônico entre as suas energias positivas
(masculinas) e negativas (femininas), quando então, já não mais
necessitam do outro.
Homossexualismo
(masculino e feminino) é um assunto tão complexo quanto o é a
personalidade humana. O que sabemos é ele não é opção, mas é
uma atração sexual. É um tema que provoca polêmica, na maioria
das vezes, por desinformação. A afirmação de que é uma “opção"
não encontra respaldo na realidade. A simples constatação de que
ninguém, no início da puberdade ou da adolescência, opta ser
hétero ou homossexual, anula qualquer argumento em contrário. É um
tema muito complexo que pode ter muitos desdobramentos, mas em
nenhuma situação, pode-se afirmar que é uma opção pessoal.
“É
algo mais forte dentro de nós. Atração é a palavra certa. Há
quem gosta de jiló, quiabo, óleo de bacalhau, há quem prefere
beterraba, champignon e caviar. Eu gosto de whisky, há quem prefere
cachaça. Gosto de frango grelhado com batatas, há quem prefere
arroz com feijão e bife. Eu prefiro cores pastéis, há quem gosta
de rosa choque e verde limão com amarelo ouro. Prefiro sapatos, há
quem só usa tênis. Gosto de cabelos curtos, há quem gosta de
cumpridos. São identificações. São coisas que nos saltam aos
olhos e nos fazem sentir mais atraídos por elas. Gostar mais de
verde ou de amarelo não é fazer uma opção é ? Então compreendo
o resto do mundo da mesma forma. Não optei ser Psicólogo, Advogado
ou outra coisa. Não optei ler Patinhas ou o Gazeta Mercantil, é uma
questão que diz respeito ao meu processo de identificação.” (O
Psicólogo).
Jung
ao tratar da individuação, da evolução para uma consciência mais
ampla e profunda, aborda uma forma de homossexualidade bastante comum
e pouco conhecida no nosso meio. “O autoconhecimento é um processo
que leva a compor com o outro (“sombra”) em nós. O despertar da
consciência deixa cair o manto das convenções e evolui para um
confronto direto com a realidade, sem os véus da mentira, nem
enfeites de qualquer espécie. O homem mostra-se, portanto, como ele
é, e revela o que antes estava oculto sob a máscara da adaptação
convencional, isto é, a sombra. Ao tornar-se consciente , a sombra é
integrada ao eu, o que faz com que se opere uma aproximação à
totalidade. A totalidade não é a perfeição mas sim o ser
completo. Pela assimilação da sombra, o homem como que assume o seu
corpo, o que traz para o foco da consciência toda a sua esfera
animal dos instintos, bem como a psique primitiva ou arcaica, que
assim não se deixam mais reprimir por meio de ficções e ilusões.
E é justamente isso que faz do homem o problema difícil que ele é.
... A sombra representa, na realidade, o que falta a cada
personalidade. Ela é, para cada indivíduo, aquilo que ele poderia
ter vivido e não viveu.
Ao
apresentarem-se ao consciente como figuras de sombra, os diferentes
componentes que evocamos assumem posição de parceiros para uma
história possível. De sonho em tomada de consciência, e de
modificação de comportamento em novo sonho, vemos a sombra reagir e
mudar. Ela permanece, entretanto, como o eterno antagonista, pois
nasce, sob outras formas, do próprio desenvolvimento do sujeito.”
É sempre “o conjunto do que o sujeito não reconhece e que o
persegue incansavelmente”. Nesta dialética, acontece que a sombra
se projeta sobre um parceiro concreto e desencadeia assim um apego
que é uma das formas de homossexualidade.” (Jung)
A
atração entre duas pessoas envolve o todo que a pessoa é. Para
facilitar a compreensão é que usamos os termos masculino (positivo
ou A) e feminino (negativo ou B) porque são estas características
que definem as pessoas. Cada pessoa é única. Assim como o homem não
sente atração por qualquer mulher e vice-versa, o homossexual
também não sente atração por qualquer pessoa do mesmo sexo.
Quando afirmo que "nós somente vamos sentir atração pelo
oposto, independentemente do sexo" é porque cada pessoa é um
universo próprio que sente atração por um "universo"
oposto.
FELICIDADE
O que é felicidade? O caminho da felicidade é a liberdade.
São seus maiores obstáculos o apego e a dependência psicológica.
Mas a maioria das pessoas não suporta a idéia de ser livre. É o
apego e a dependência psicológica que as fazem felizes. As emoções
são as causas da felicidade ou infelicidade. A felicidade é escrava
do outro (pessoa, objeto) e vai depender dele para se concretizar e
manter. Ser livre dos nossos desejos, apegos, do amor e do ódio e da
nossa consciência moral nos fará encontrar a paz. É na liberdade
que se encontra paz. Esta é a verdadeira felicidade. Ela não
depende do outro. É um estado do nosso mundo interior.
A
DUALIDADE - Tudo é energia
A
Ciência nos ensina que o universo é um campo energético e não há
vácuos absolutos. O conhecimento científico é um componente básico
para o autoconhecimento e, para os sábios, não há
incompatibilidade entre ciência e religião.
O
ser humano, em toda a sua complexidade é um universo próprio e um
pólo energético. A energia apresenta-se sob dois pólos: positivo e
negativo. Não há energia má ou boa porque a natureza é amoral.
Mas o homem inconsciente denomina-as de Bem e Mal, Deus e Diabo,
Certo e Errado.
A
energia que move a vida é dual: masculina e feminina. No interior do
ser humano os seus instintos são forças poderosas que se opõem
mutuamente, um verdadeiro caos que procura uma ordem superior: a
harmonia, um equilíbrio dinâmico em constante evolução. Quando o
homem, pelo seu nível de evolução, não consegue harmonizá-las,
elas tornam-se fonte e origem de todo o seu sofrimento.
A
oposição energética tende à harmonia numa ordem superior. Para
acabar com o seu inimigo o homem inconsciente mata-o, e o homem
consciente ama-o. Energias opostas, em harmonia, tem o poder da
criação. O segredo está no símbolo do I Ching: positivo e
negativo, masculino e feminino, girando harmoniosamente.
VIVER
A VIDA
“Ter
fé é criar um mundo mágico e ilusório; ter consciência é viver
a Vida”.
Há
a expectativa de que a Nova Era que se aproxima nos trará aquele
estado de paz e harmonia sintetizado na poesia de Schiller: “alle
Menschen werden Brüder” (todos os homens serão irmãos - numa
tradução literal), eternizada por Beethoven, na 9a.
Sinfonia.
A
Nova Era e a Vida, entretanto, são um eterno vir a ser. Para
entendê-las é preciso um espírito jovem, irrequieto, rebelde e
pesquisador. Grande parte das pessoas vivem estagnadas no tempo e no
espaço, presas às suas verdades, à sua fé, à sua rotina, ao
mundo fechado que construíram ao seu redor.
Parece-me,
às vezes, que o homem tem necessidade de atos de vontade para
acompanhar a evolução, a lei das infinitas mudanças, porque sem
eles, ele fica para trás, cristalizado, petrificado, morto.
“Fides
et Ratio”. Fé e razão. Nós precisamos ultrapassar os
conceitos de fé e razão para construir a plena consciência, o
homem integral. Aprisionados pelo muro da ignorância precisamos
abrir um canal de comunicação com o Espírito Universal. O muro é
o nosso tão querido, amado e pouco conhecido “ego” constituído
pela tradição, cultura, fé e todos os valores egoístas que nos
tornam cegos e surdos para a Vida, para a verdadeira realidade que é
o Todo, o Uno, o Universo.
VONTADE
DE PODER
O
homem precisa de desafios para exercer a sua vontade de poder. O
progresso humano, a sua evolução cultural é cumulativa, isto é,
transmitimos para os nossos filhos e para os outros da mesma espécie
qualquer coisa que se invente ou aprenda ou descubra. Por isso a
evolução cultural é tão rápida. O início foi muito demorado.
Parece que nossos ancestrais, entre o controle do fogo e o
desenvolvimento da linguagem levaram aproximadamente um milhão de
anos. A ampliação da consciência do homem é lenta, individual e
intransferível e assemelha-se à evolução natural das espécies.
Há um ato de vontade tanto na evolução cultural quanto no
desenvolvimento do espírito e que tem a sua causa no instinto ou no
superego. A evolução cultural e tecnológica tem a sua origem no
superego (que esotericamente chamamos de "ego"). No
autoconhecimento, na ampliação da consciência, no desenvolvimento
espiritual há a necessidade da supressão do "ego" para
que ocorra a evolução. Então é impossível ao "ego"
destruir-se a si mesmo pelo seu fortalecimento. A força que move a
evolução do espírito tem a sua causa no instinto de liberdade.
Para que ela possa manifestar-se e evoluir, nós precisamos remover a
vontade inquebrantável do "ego" representado pela
tradição, valores culturais e religiosos que acumulamos durante a
nossa vida. Precisamos “render”, destruir o “ego” para que se
desenvolva a liberdade, a paz, a harmonia e o amor.
ID,
EGO E SUPEREGO
A
personalidade, segundo Freud, é constituída por três sistemas de
motivação e ação que se opõem habitualmente no conflito, id, ego
e superego.
O
id (das Es, em alemão, termo utilizado por Nietzsche para designar
aquelas forças profundas, naturais, involuntárias que governam a
vida) é o conjunto de impulsos inatos (sexuais e agressivos) e de
desejos recalcados. Esses impulsos e desejos recalcados estão
submetidos tão somente ao do princípio prazer-desprazer. São as
paixões.
O
“ego” é uma estrutura cuja atividade é consciente (percepção
e demais processos intelectuais), pré-consciente e inconsciente
(mecanismos de defesa, de adaptação psicológica).É responsável
pelo ajustamento do indivíduo. O “ego” representa a razão, a
reflexão, é formado de suas lembranças e emoções e é o centro
do campo de consciência. Manifesta-se através da vontade cuja
direção é determinada pelo equilíbrio dos desejos em geral
conflitantes que se originam do id e do superego; o princípio de
equilíbrio de poder é fundamental sempre que se trate de vontade e
das decisões da vontade. Consequentemente a força do ego
corresponde ao seu grau de liberdade em relação às duas outras
instâncias, o id e o superego.
O
superego é o ego modificado. É a introjeção das forças
repressivas(educação) e das imposições ambientais que ocorrem
durante o desenvolvimento individual. O superego é a consciência
moral que o indivíduo possui, produto das relações com os objetos
que o circundam e das influências sociais. As exigências do
superego é que moldam o ego.
Dos
desajustes ocorridos entre esses três sistemas decorrem as
adaptações anormais da personalidade.
O
“ego” é a máscara que começamos a colocar quando nascemos,
moldada pela herança genética e aperfeiçoada durante a vida.
O
“ego” inflado entra em crise quando perde a sustentação da
realidade que o cerca. Ao perceber que já não pode tudo e todos os
“egos” à sua volta já não o bajulam mais; quando a sua
arrogância já não encontra o seu oposto, a servidão; quando o seu
autoritarismo já não encontra subserviência; quando a sua
sapiência já não encontro ignorantes e quando a sua esperteza já
não encontra trouxas, ele desaba. Esta é experiência que alguns
chamam de “morte do ego”, mas que na verdade é apenas um “golpe
de estado” para que ele ocupe uma posição de harmonia na
personalidade.
A
intensa crise representa a luta das forças da personalidade para que
os três sistemas de motivação e ação encontrarem o equilíbrio.
2.
Instintos e Reflexos Condicionados
“O
equilíbrio do organismo humano em suas relações com o mundo
exterior é estabelecido pelo sistema nervoso através de “reflexos
incondicionados”, absolutos, inatos e genéricos; tanto elementares
como a tosse, espirro, dilatação e constrição das pupilas, os
movimentos peristálticos dos intestinos, as secreções glandulares,
como pelos mais complexos, chamados de instintos (procriador,
defensivo, alimentar, de libertação, etc.). Os reflexos
incondicionados são então, respostas às solicitações naturais,
internas ou externas, e decorrem de uma ligação direta entre os
receptadores (órgãos de sentidos) e o cérebro. São
incondicionados porque não dependem de uma condição para existir.
São naturais, “instintivos” (“instinto”=impulso).
Os
“reflexos condicionados” representam as adaptações ao seu meio.
Eles são resultados das experiências diárias que levam o homem a
superar dificuldades, superar problemas e, então, a aprender.
Através de constantes aprendizagens, o homem obtém um número
elevado de informações e normas de conduta. As relações e o
significado das coisas conduzem-no a memorizar e a aprender. Sabemos
que existe uma associação entre um estímulo e uma resposta. Essa
resposta é aprendida e o indivíduo passa a se valer dela para se
adaptar às situações geralmente iguais. O comportamento de um
indivíduo é composto por um conjunto de reflexos associados e
encadeados.
No
meio social, o indivíduo, além das habilidades, adquire formas de
comportamento decorrentes de aprendizagem mais complexas como
preferências, preconceitos, interesses especiais, valores morais,
etc. A imitação tem uma posição destacada no processo do
condicionamento do indivíduo.
Entretanto,
cada pessoa tem uma maneira peculiar própria de pensar, sentir e
agir perante as influências externas.
Existe,
ainda, uma interdependência entre aprendizagem e maturação
(processo de desenvolvimento dos órgãos e funções para atingir
determinada condição) que limita a aprendizagem.
3.
A linguagem
“A
linguagem é um sistema de meios (sons, gestos, palavras e regulares
combinações desta em forma de orações), através do qual os
homens se comunicam e trocam idéias.
Os
homens procuram ligar as idéias que tem das coisas pela fala e pela
grafia. A fala e a grafia que são sinais de coisas tanto presentes,
quanto ausentes, concretizam o pensamento. Através de sinais
gráficos e orais, os homens mantém relações entre si em vista de
determinados fins, prescindindo cada vez mais das relações diretas
com os objetos, sem que tomem consciência, na maioria das vezes,
desse acontecimento. Isso pode levar o homem a perder a consciência
exata da realidade, posto que ele trabalha com palavras e estas
designam coisas que ele, às vezes, jamais percebeu totalmente.
4.
O Pensamento
O
pensamento é uma forma de atividade comum a todos os seres que
dispõem de sistema nervoso central. Os experimentos de Pavlov,
Ivanov Ismolensqui e outros demonstram que também os animais pensam.
O que caracteriza então o pensamento do homem? Há uma diferença
qualitativa e quantitativa entre o pensamento humano e o animal. A
do homem é superior devido ao tipo de relação que estabeleceu com
o ambiente devido à vida social, às formas de trabalho e à
linguagem que, dispondo de verbo, tornou o pensamento discursivo, com
seqüência. O pensamento é uma associação dinâmica de imagens
acumuladas. Há uma íntima e indissolúvel relação entre o pensar
e o falar.
O
raciocínio é uma forma de pensar por meio dos qual ensaiamos
simbolicamente soluções para um ou vários problemas. É evidente
que esta não é a única maneira do homem resolver problemas. Quando
estamos aprendendo ensaiamos, erramos, tornamos a ensaiar até
conseguir uma seqüência certa de respostas .”
5.
Caráter e personalidade
“Carater”
(do grego caracter) significa traço, sinal, sintoma,
particularidade. “É o conjunto de disposições congênitas que
formam o esqueleto mental de um homem”(Renné Le Senne). O caráter
pode ser comparado a uma máquina de escrever e a personalidade à
letra escrita.
Personalidade
é a organização integrada por todas as características
cogniscitivas, afetivas, volitivas (1) e físicas de um indivíduo,
tal como se manifestam. Esta organização integrada por todas as
características é que diferencia um indivíduo de outros.
Características
volitivas são as da vontade. Entendemos por ato voluntário aquele
em que o indivíduo tem consciência dos meios e das finalidades de
sua conduta; isto é, o indivíduo procura atingir um objetivo por
ele mesmo proposto, tendo consciência dessa tentativa.
6.
Formação da Consciência
O
processo de apercepção forma a consciência e sua ampliação
horizontal e vertical é promovida pela inteligência (1) e pela
razão (2) através de atos de vontade e pela maturação (3) do
homem.
O
saber cultural não significa o mesmo que compreender pois ele é
apenas um acúmulo de apercepções. Há uma enorme diferença entre
fazer alguma coisa e ter consciência do que se está fazendo.
A
ampliação da consciência do homem é lenta, individual e
intransferível e assemelha-se à evolução natural das espécies.
conjunto
imensamente complexo e variado de habilidades e capacidades que
emergem da estrutura do cérebro humano.
faculdade
espiritual própria do homem, e pela qual ele chega à concepção
das idéias universais, como sejam da unidade, de identidade, de
causa e de substância
processo
de desenvolvimento dos órgãos e funções para atingir determinada
condição.
Eu
tenho meu próprio ritmo de compreensão das coisas. Este é o meu
processo de pesquisas. Colho as informações e as deixo armazenadas.
Com o tempo e novas percepções vai-se formando a convicção. A
minha pesquisa não é apenas intelectual mas inclui o sentimento, a
introspecção, a observação do mundo que me cerca. Quando chego a
uma conclusão, ela inclui o sentir e porisso ela torna-se real para
mim.
Eu
sou um pesquisador. Já fui uma pessoa de uma fé total, absoluta
baseada na religião católica. Hoje eu não tenho fé. A fé foi
cedendo seu espaço para o “saber”, o sentir. Isto levou muitos
anos. Somos uma máquina de reflexos condicionados e é muito difícil
mudar-se esta programação. Eu sempre afirmo aquilo que sinto, sem
medo de errar, porque somente aprendo com o erro. Olhando para trás,
observo quantas “bobagens” fiz e escrevi e sei que vou continuar
fazendo outras mais. As “bobagens” que escrevi no passado estavam
embasadas na realidade que eu vivia naquele momento. Observo, então,
que eu evolui, que eu cresci e continuo crescendo com os pés no
chão, caminhando e observando a realidade que me cerca.
“Quem
sou eu?” . Foi a partir desta pergunta que comecei as minhas
pesquisas. Eu poderia ser um pesquisador em física, filosofia,
história, direito, medicina, psicologia, etc. Mas por que pesquisar
“quem sou “eu””? Este é um ato de vontade que é gerado por
um desejo. O que, quem gera o desejo? O desejo é gerado pelo
instinto ou pelo “superego”. A causa desse meu ato de vontade,
estava no instinto de liberdade. Por que liberdade? Certamente um dos
motivos foi a minha infância e adolescência sob férrea disciplina
germânica, opressiva e castradora em que a religião católica teve
papel fundamental. Esta pesquisa levou-me a compreender a ter
consciência do “eu” e de como ele se construiu e continua se
construindo. A consciência do “eu”, Deus, diabo, céu, inferno,
anjos, etc. foi algo que foi acontecendo num período de tempo
relativamente curto. Quem sou “eu”? “Eu” sou um ponto
consciente que é parte do Uno, do Todo, do Universo. Tudo é energia
e “eu” também sou energia. Há vinte anos eu era uma energia com
baixíssimo nível de consciência hoje sou uma pessoa com um elevado
nível de consciência de mim mesmo, em contínua expansão. Você
sabe que consciência é algo extremamente diferente de conhecimento
cultural ou científico. Há uma enorme diferença entre fazer alguma
coisa e ter consciência disto.
Veja
então como eu observo esta questão. A ampliação da consciência
do homem é lenta, individual e intransferível e assemelha-se à
evolução natural das espécies. Quando o nível de consciência
ultrapassa o da inconsciência, o homem rompe a casca e nasce um
novo “eu”. No início um “filhote” meio perdido, mas que aos
poucos se desenvolve para chegar à autoconsciência. Então, se eu
morro fisicamente na fase inconsciente, eu vou continuar apenas um
ponto energético inconsciente no Universo. Para aquele que atingiu
um elevado nível de consciência será diferente? Os místicos dizem
que sim, mas eu quero ter consciência da resposta a esta pergunta. A
ciência afirma que nós somos energia e que a lei de conservação
da massa é generalizada para a lei de conservação de energia e de
movimento, ou quantidade de movimento, e que são leis naturais e
universais. Com a morte do corpo físico esta energia simplesmente
dissolve-se na energia universal, ou será possível a este ponto
energético (indivíduo) manter a consciência de si mesmo
(autoconsciência)? Especulação? Na verdade, consciência é algo
que não pode ser medido e pesado. É uma experiência totalmente
individual.
"Parece
que o consciente flui em torrentes para dentro de nós, vindo de fora
sob a forma de percepções sensoriais. Nós vemos, ouvimos,
apalpamos e cheiramos o mundo, e assim temos consciência do mundo.
Estas percepções sensoriais nos dizem que algo "existe"
fora de nós. Mas elas não nos dizem "o que" isto seja em
si. Isto é tarefa, não do "processo de percepção", mas
do "processo de apercepção". Este último tem uma
estrutura altamente complexa. Não que as percepções sensoriais
sejam algo simples; mas sua natureza complexa é menos psíquica do
que fisiológica. A complexidade da apercepção, pelo contrário é
psíquica. Podemos identificar nela a cooperação de diversos
processos psíquicos. Suponhamos ouvir um ruído cuja natureza nos
pareça desconhecido. Depois de algum tempo, percebemos claramente
que o ruído peculiar deve provir das bolhas de ar que sobem pela
tubulação da central de aquecimento. Isto nos permite "reconhecer"
o ruído. Este reconhecimento deriva de um processo que denominamos
de "pensamento". É o "pensamento" que nos diz "o
que" a coisa é em si.
Falei
acima em ruído "peculiar". Quando qualifico qualquer coisa
como "peculiar", eu me refiro a uma "tonalidade
afetiva" especial que a coisa tem. A tonalidade afetiva implica
uma "avaliação". Podemos conceber o "processo de
reconhecimento" essencialmente como uma comparação e uma
diferenciação com o auxílio da memória. Quando vejo o fogo, por
ex., o estímulo luminoso me transmite a idéia de fogo. Como existem
inúmeras imagens recordativas do fogo em minha memória, estas
imagens entram em combinação com a imagem do fogo que acaba de ser
recebida, e a operação de compará-la e diferenciá-la dessas
imagens de recordação produz o reconhecimento, isto é, a
constatação definitiva da peculiaridade da imagem há pouco
adquirida. Em linguagem ordinária, este processo denomina-se
"pensamento".
O
"processo de avaliação" é diferente: o fogo que eu vejo
provoca reações emocionais de natureza agradável ou desagradável,
e as imagens de recordação assim estimuladas trazem consigo
fenômenos emocionais concomitantes denominados "tonalidades
afetivas". Deste modo um objeto nos parece agradável,
desagradável, belo ou desejável, feio, repelente, etc. Em linguagem
ordinária este processo se chama "sentimento".
O
"processo intuitivo" não é uma percepção sensorial nem
um pensamento, nem também um sentimento. Intuição é um processo
de sentir, ou seja, a percepção das possibilidades inerentes a uma
dada situação. A intuição decorre de um processo inconsciente,
dado que o seu resultado é uma idéia súbita, a irrupção de um
conteúdo inconsciente na consciência. A intuição é, portanto, um
processo de percepção, mas, ao contrário da atividade consciente
dos sentidos e da introspecção, é uma percepção inconsciente”
(C. G. Jung, in A Natureza da Psique - Ed. Vozes - Petrópolis,
1986).
O
que é intuição?
Entendemos
como intuição uma percepção cognitiva diferente do
racional que encontra no meio científico seu lugar com o nome
"contexto de descobrimento de idéias". Esta
percepção cognitiva comprime anos de experiência e aprendizado num
clarão instantâneo.
Relação
entre intuição e funcionamento do cérebro
Em
relação ao potencial intuitivo e o funcionamento do cérebro
diremos: as pesquisas dos neurofisiologistas adiantaram nos
últimos anos em muito o conhecimento do funcionamento do cérebro
humano. Entendemos que o lado esquerdo e direito do cérebro
possui funções especializadas e diferentes um do outro. O
esquerdo ligado à experiência humana do intelectual, do
lógico-racional e ao direito o subjetivo, afetivo, imaginativo e
intuitivo. Isto não quer dizer que tenhamos dois cérebros. O
cérebro é um e na experiência do viver e intuir o funcionamento
dos dois hemisférios estão juntos. O homem necessita da
percepção cognitiva da intuição associada à modalidade de
funcionamento do hemisfério direito, mas esta para sua compreensão
e expressão recorre aos diferentes aspectos da linguagem (hemisfério
esquerdo) para ser comunicada socialmente.
Em
relação ao funcionamento do cérebro como totalidade
aderimos às teorias de Karl H. Pribram (Universidade de
Stanford) associadas ao pensamento do físico inglês David Bohm (
professor da Universidade de Londres), principal inspirador da física
quântica contemporânea. Estes propõem a saída da física
mecanicista de Isaac Newtom para pensar e compreender em que
consiste a realidade. Dirão que tudo o que existe é expressão
de uma rede energética holográfica em movimento ondulatório fora
das categorias de espaço e tempo. Tal rede energética
ondulatória se expressa na chamada ordem explicada ( o que
nos aparece) e numa ordem implicada ( rede energética
fundante).
O
cérebro funciona holograficamente e é suporte que manifesta o
funcionamento do todo.
Este
entendimento da física quântica e funcionamento holográfico do
cérebro nos permite compreender não só o potencial intuitivo como
assim também a validade das práticas espirituais do oriente
e dos fenômenos estudados pela parapsicologia como
clarividência, premonição, telepatia, etc.
Os
aportes da física quântica nos permitem sair da divisão ser
humano-meio ambiente, podendo passar então a pensar em termos de
ecologia profunda onde o humano, o vegetal, o animal, o
mineral e todas as formas de expressão da vida formam parte da mesma
rede espiritual e energética. Rede constitutiva da lei
ética da unidade de todas as coisas.
7.
Nascimento do “eu”
“O
objeto dos sentidos são os fatos e fenômenos materiais do mundo
físico em derredor.
O
objeto adequado do intelecto são as leis que governam esses fatos e
fenômenos e fazem do mundo um “cosmos”, um Todo orgânico. As
forças ou leis que, embora invisíveis, regem as coisas visíveis
são, em si mesmas, mais reais do que os fenômenos físicos por elas
regidos, ainda que o homem dominado pelos sentidos considere a
matéria mais real que as suas energias. Quem sabe orientar-se com
segurança no mundo invisível das leis revela maior força
intelectual do que o homem que sabe apenas lidar com esse mundo
primitivo da matéria visível.
A
lei máxima que governa todas as coisas e fenômenos do mundo
material é a lei da “causalidade”. Nada acontece sem uma causa
correspondente. Nenhum efeito é maior do que sua causa.
Toda
a epopéia da nossa ciência, técnica e arte, toda a civilização e
cultura do gênero humano assentam alicerces na lei da causalidade,
que é o objeto específico da inteligência.
Tudo
que está sujeito à lei da causalidade acontece no “tempo” e no
“espaço”. Tempo e espaço, porém, não são objetos, mas sim
modos ou atributos de percepção sensitiva e concepção
intelectual. Se o homem não percebesse os fenômenos materiais pelos
sentidos, nem concebesse as leis da energia pelo intelecto, nada
saberia ele de tempo e espaço, nem de causalidade.
Pela
percepção sensorial, portanto, temos a noção da “duração”
(tempo) e da dimensão (espaço), assim como pela concepção
intelectiva, baseada naquela, temos noção da causalidade.
Se
fôssemos capazes de conhecer algo independentemente de tempo, espaço
e causalidade, estaríamos fora do mundo dos fenômenos e suas leis;
estaríamos no mundo do eterno, do infinito, do absoluto.
Ora,
sendo que, pelos sentidos e pelo intelecto, estamos vinculados às
categorias de tempo, espaço e causalidade, força é que essas
faculdades cogniscitivas nos façam uni-laterais ou pauci-laterais;
porquanto nenhuma dessas faculdades tem caráter universal,
oni-lateral. Por isto, pelos sentidos e pelo intelecto todo ser é
egoísta. O egoísmo intelectual do homem consciente, ego-consciente,
pode assumir proporções funestas, quando não controlado por um
poder superior, isto é pela Razão”. (Rohden - Lúcifer e Logos)
8.
Alma imortal
O
homem mostra-se renitente, inseguro, com medo de olhar para dentro de
si mesmo. Esta incapacidade está ligada à sua consciência de vida.
É próprio do homem inconsciente voltar-se para fora, para o outro;
querer controlar a natureza e a vida das pessoas que o cercam. Temos
uma fantástica evolução tecnológica em todas as áreas. A vida
média do ser humano e a redução da natalidade estão crescendo de
tal forma que num futuro não muito distante seremos uma humanidade
de idosos. A astronomia e a física estão num estágio de
descobertas nunca antes imaginado. Especula-se até na existência de
mais de um universo. Mas descobrir o nosso universo pessoal é tão
árduo quanto desvendar os mistérios do mundo que nos cerca. A
ampliação da consciência em extensão e profundidade através do
autoconhecimento leva-nos à autotransformação. É nesta caminhada
da inconsciência para a autoconsciência que "criamos" a
nossa alma. Nós nos "criamos" progressivamente ao nos
libertarmos da escravidão da ignorância. Nós estamos dormindo e
vivemos na ilusão. Se não despertarmos e construirmos a nossa alma
eterna, nada sobreviverá após a morte biológica, pois não somos
mais que um vegetal; apenas uma pessoa em milhões "cria" a
sua alma individual imortal, de acordo com Gurdjieff. Nós somos um
ponto energético na Alma Universal que necessita despertar. Está
posto o desafio: "criar" a alma individual, sob pena de
continuarmos sendo apenas um ponto energético dormindo na infinita
Alma Universal.
Pelo
autoconhecimento começa-se a ter consciência de um mundo imaterial
que foge às explicações racionais. Este mundo imaterial que alguns
percebem e sentem, não pode ser medido ou pesado. Porisso ele não é
reconhecido pela ciência. Este mundo imaterial é "indiretamente,
a questão fundamental, na prática, de todas as religiões e de
todas as filosofias" afirma Jung. A ampliação da consciência
do homem é lenta, individual e intransferível e assemelha-se à
evolução natural das espécies. “Na evolução cultural qualquer
coisa que se invente ou aprenda ou descubra imediatamente se acumula
e é passada adiante, é um poderoso mecanismo cumulativo que não
existe na natureza. Na natureza, quando uma espécie desenvolve
alguma coisa, não pode transferi-la para mais ninguém; cada espécie
é a sua própria entidade singular. Há interação, mas nunca
amálgamação, ao passo que na cultura humana você tem essa
complexas reticulação. Então é por essas duas razões que a
herança cumulativa de conhecimento e tecnologia e sua propriedade
reticular de descoberta e invenção, que a evolução cultural é
tão rápida”(Oliver Sacks).
9.
Evolução
Não
podemos esquecer que imortal e imutável são duas palavras com
sentidos totalmente diferentes. Você hoje é o José de dez anos
atrás, mais a experiência que você acumulou neste período. Você
não é outro, você é o mesmo, porque a vida não é um
tornarmo-nos algo diferente, mas sim desenvolver o que já somos
potencialmente. Nós somos igual a uma semente lançada no solo que
vai brotar, crescer, dar flores, frutos, envelhecer e morrer. A
semente, a muda, o arbusto e a árvore de laranjeira são uma só na
sua essência. A semente contém em si, potencialmente, a árvore.
Não há um renascimento durante a nossa vida. A substituição das
células envelhecidas do corpo por células novas, não significa um
renascimento, mas a mudança necessária para que a nossa vida atinja
os seus limites biológicos. Nós somos o mesmo, na essência, desde
o nascimento até a morte física. O que muda é a nossa visão da
vida em função das experiências pelas quais passamos, e é a isto
que chamamos de ampliação da consciência ou evolução. A
"construção da alma" , é, em outras palavras, esta
ampliação da consciência. É apenas uma questão de palavras. O
Kai de hoje também é totalmente diferente daquele de, por exemplo,
dois anos atrás. Muitas coisas que fiz há dois anos eu não repito
hoje. Por que? Porque aprendi com os meus erros. Mas aquelas
experiências foram essenciais para que eu aprendesse ( nós não
podemos "queimar" etapas ou usar atalhos no nosso
crescimento). Eu sou o mesmo Kai (corpo físico, mental e emocional)
mas o que mudou foi a consciência, a percepção, a compreensão que
eu tenho da vida e do mundo que me cerca. Em função desta mudança
mudou inclusive o meu comportamento, mas não o "eu". Pode
até aparecer alguém e dizer: - Cara, como você mudou! Posso ter
mudado de aparência física, de comportamento, mas no fundo, eu sou
o mesmo. Não podemos esquecer, entretanto, que cada pessoa tem a sua
história e que há pessoas que praticamente não mudam.
Eu
não pertenço a nenhuma religião formal, escola iniciática ou
outro grupo qualquer. Eu não sigo "autoridades", isto é,
posso aceitar determinados conceitos de um autor ou sábio e
desprezar outros. Entretanto, na minha pesquisa, procuro conhecer os
ensinamentos dos livros sagrados e sábios que se identificam com a
minha personalidade. Costumo citar Rohden, Krishnamurti, Rajneesh,
Nietzsche, Rudhyar e Jung, entre outros, porque são fundamentais
para mim. Autoconhecimento não é uma nova filosofia ou religião.
Autoconhecimento é consciência.
Eu
não escolho caminhos pois eu sou o meu próprio caminho. O que
realmente importa é ter consciência do que faz e do que se diz. Eu,
nos autores citados, seleciono as afinidades e não as divergências.
A "construção da alma" , é, em outras palavras, a
ampliação da consciência que cada um comprova pessoalmente durante
a sua vida. É apenas uma questão de palavras. Sobre ampliação da
consciência, permita-me citar Jung: "O encontro com o
inconsciente é determinado pelo destino; o homem natural nem
suspeita sua existência até que um dia se vê mergulhado nele. É
um processo psíquico por excelência. O objetivo essencial é o
desenvolvimento da consciência, isto é, em primeiro lugar a tomada
de consciência dos conteúdos até então projetados. Este esforço
leva pouco a pouco ao conhecimento do outro, bem como ao conhecimento
de si e assim, a distinguir o que a pessoa é na realidade daquilo
que nela é projetado ou que ela fantasia a seu respeito. Neste
processo estamos tão empenhados em nosso próprio esforço, que mal
percebemos a que ponto a natureza nos impele e nos ajuda: em outras
palavras, mal percebemos o quanto o instinto está interessado em
atingir esse nível superior de consciência"(JUNG). Jung é
polêmico, assim como todos os sábios. Nem Jesus Cristo consegue
unanimidade. Mas se alguém identifica a sua experiência de vida com
estas afirmações dele, então não há o que contestar.
10.
NÍVEIS CONSCIÊNCIA
A
MORTE
O
que é a morte? o que é vida?
Vejamos,
preliminarmente, algo sobre a Lei de Lavoisier e, tempo e espaço.
1.
Lei de conservação da massa formulada por Lavoisier: "Nós
devemos aceitar como um axioma incontestável que em todas as
operações da natureza e da arte nada é criado; uma quantidade
igual de matéria existe antes e depois do experimento". A lei
de conservação da massa é generalizada para a lei de conservação
de energia e de movimento, ou quantidade de movimento. São leis
naturais e a sua propriedade mais importante é sua universalidade.
2.
Tempo e espaço são modos ou atributos de percepção sensitiva e
concepção intelectual. Se o homem não percebesse os fenômenos
materiais pelos sentidos, nem concebesse as leis da energia pelo
intelecto, nada saberia ele de tempo e espaço, nem de causalidade.
Se fôssemos capazes de conhecer algo independentemente de tempo,
espaço e causalidade, estaríamos fora do mundo dos fenômenos e
suas leis; estaríamos no mundo do eterno, do infinito, do absoluto.
Se
no Universo nada se cria, nada se perde e tudo se transforma; se o
tempo é uma ilusão dos sentidos e o que existe é o eterno agora em
contínua transformação, a vida e a morte são, então, faces de
uma só realidade. Esta realidade é a nossa essência que podemos
chamar de inconsciente coletivo, instinto ou espírito: uma parcela
da alma universal.
Mas
então, por que o homem teme a morte?
Freud
explica. Dividiu a personalidade em três sistemas de motivação e
ação, id, ego e superego. O id é o instinto; o ego (eu) é o
centro da consciência e, o superego, a consciência moral, resultado
da educação e das influências ambientais. O superego é construído
durante a vida, é a máscara formada pelos condicionamentos
psicológicos. Ele domina a personalidade inconsciente e morre com o
corpo físico. O homem inconsciente identifica-se com o superego e
por isso teme a morte. Aquele que evoluiu para além da consciência
moral não teme a morte. Se ele não teme a morte e a sua vida é
repleta de dor, por que não se suicida? Porque ele sabe que tudo tem
o seu tempo e cada coisa a sua hora e, a ampliação da consciência,
somente é possível, com o uso do cérebro e dos sentidos do corpo
físico. A ampliação da consciência é o despertar gradual do
espírito que, aos poucos, vai dominando a personalidade. O superego
vai ceder o seu lugar, não sem lutas, a esta força muito mais
poderosa. Todo o ser passa para um outro nível de consciência, e
percebe-se totalmente diferente de qualquer outro ser humano.
A
morte é apenas uma transformação, nada mais do que isso. Por
que temê-la? Vamos viver!!!
INDIVIDUAÇÃO
O
homem desde a concepção vai construindo através dos sentidos o
seu universo, a sua consciência, a sua personalidade. A formação
da personalidade dá-se de acordo com os valores da tradição, da
cultura e da religião transmitidos pela família, pelo grupo
social e pela educação formal. A personalidade é formada pelo
aprendizado e é, portanto, uma máscara construída para adaptar-se
às diversas situações do universo em que ela vive. O centro de
gravidade do “eu” está localizado nessa estrutura, dominada
pelos valores coletivos, pela fé e pela razão, chamada por Freud de
superego (ego das escolas esotéricas).
Características
desta personalidade:
A
natureza determinada e dirigida dos conteúdos da consciência.
O
comportamento, sentimentos e pensamentos são, em grande parte,
controlados por impulsos inconscientes e pelas tradições
coletivas.
A
vida é movida pela energia da vontade, a vontade de poder. O
caminho da vontade se dá através de conflitos, lutas e violência.
O
seu mundo é dual, fragmentado, baseado em escolhas. A mente absolve
ou condena, justifica e compara.
As
suas certezas são baseadas no conhecimento intelectual, no
raciocínio, na lógica e na fé.
Em
geral têm uma profunda aversão em conhecer alguma coisa a mais
sobre si mesmos.
Vivem
num mundo de expectativas, emoções, idéias, hábitos, passado e
futuro.
Esta
é a humanidade que nós conhecemos.
A
evolução, o desenvolvimento ou ampliação da consciência é
promovida pelo instinto e manifesta-se como um desejo de liberdade.
São aquelas forças profundas, naturais, involuntárias e
inconscientes (id - Freud) que se manifestam e que vão promover a
mudança do centro de gravidade do “eu” do superego para o
instinto. O superego (ego) é colocado numa posição secundária. É
o processo de individuação, de autotransformação do ser dual,
masculino e feminino, consciente e inconsciente em um todo.
Representa o nascimento de um novo homem com um nível de consciência
superior.
Características
do novo homem:
A
vida é movida pelo amor, harmonia e liberdade.
O
relacionamento com o Universo que o cerca é feito através da
intuição, do bom senso e do sentimento do Amor.
Tem
uma visão holística, uma compreensão do todo, do conjunto.
Vive
segundo o princípio de que tudo tem o seu tempo e cada coisa a sua
hora.
Nas
relações pessoais é tolerante, não julga e não têm
preconceitos.
Vive
o aqui, o agora e a não-escolha. Está aberto ao novo porque sabe
que as certezas de hoje podem estar superadas amanhã.
Não
é movido pela fé mas sim pelo saber.
Devemos
observar que a autotransformação, o realizar-se a si mesmo
(individuação) não é apenas um processo de ampliação da
consciência. Este pode ser promovido pelo fortalecimento do superego
(ego) que leva a um mero egocentrismo enquanto a individuação
compreende infinitamente mais. A autotransformação não exclui o
mundo, pelo contrário, o engloba. É um processo de tomada de
consciência, de uma vivência e de uma experiência que envolve a
pessoa toda.
O
novo homem está desvinculado de todos os valores coletivos, ele é
ele mesmo, solitário, bissexual e auto-erótico. Ele basta a si
mesmo. É um indivíduo absolutamente diferente de qualquer outro ser
humano porque o seu nível de consciência está além do mundo dual
em que vive a humanidade.
O
eu é o centro da consciência. Consciência é a percepção, a
compreensão que cada um tem de si mesmo e, conseqüentemente, do
mundo que o cerca. Tanto o homem como o animal são regidos, do ponto
de vista psíquico, pelo inconsciente. Não há entre eles, senão
uma diferença de grau, marcada pelo nível de realização da
consciência.
A
consciência forma-se através das informações recebidas pelos
sentidos e processadas pela inteligência e pela razão. A
experiência direta é a base da consciência. O intelectual não é
um sábio na verdadeira acepção da palavra, pois a sabedoria nasce
da experiência. Não podemos esquecer que na formação da
consciência há também uma contribuição fundamental do
inconsciente.
Formada
a personalidade, o eu, está com o seu centro de gravidade no
superego (1), também chamado de ego. O eu centrado no superego tem
uma visão egoísta, egocêntrica e parcial da realidade. O
fortalecimento do superego amplia a consciência promovendo um
egocentrismo que embora altruísta não determina a transformação
do ser.
Um
superego muito forte desequilibra as forças constitutivas do eu. A
natureza da pessoa precisa realizar as suas potencialidades, isto é,
crescer e produzir seus frutos. Quanto mais rígidas a disciplina, a
hierarquia e as normas sociais e morais que sufocam a verdadeira
natureza do ser maior será a força inconsciente que irá explodir e
destruir a ordem constituída. A autotransformação, o processo de
individuação manifesta-se como um anseio de liberdade. A liberação
das forças inconscientes não é voluntária e irá provocam uma
grande revolução, uma luta interna, uma subversão da ordem até
então estabelecida pelo superego e terá como efeito uma profunda
crise existencial que irá afetar todo o complexo do eu. As forças
inconscientes são muito mais poderosas do que o superego e irão
dominá-lo colocando-o numa posição secundária o que irá provocar
uma profunda ampliação da consciência. O centro da consciência, o
centro de gravidade do eu passa para o domínio das forças
inconscientes, a verdadeira natureza da pessoa. A razão e a lógica
passam para um segundo plano e nasce um novo homem com um nível de
consciência acima do homem comum, dominado pela visão dual do
mundo, com uma visão holística da sua realidade, do seu mundo e do
universo.
(1)
O superego é a consciência moral que o indivíduo possui, produto
das relações com os objetos que o circundam, da educação e das
influências sociais. As exigências do superego é que moldam o eu.
O superego é a personalidade, a máscara construída pelo complexo
do eu para adaptar-se às diversas situações do seu meio.
Cada
pessoa é um universo próprio. Cada um é diferente de qualquer
outra pessoa, porisso o mestre devo ser eu mesmo. Mas para evoluir eu
preciso do outro. É através do outro (qualquer pessoa) que eu vou
conhecer-me. No meu estudo e na minha pesquisa o conhecimento das
"técnicas" inclui os grandes sábios de todos os tempos:
Lao-Tse, Buda, Moisés, Jesus, Krihnamurti, Rajneesh,
Rohden,
Rudhyar, Pietro Ubaldi e Hôgen cujos ensinamentos eu
conheço, mas há muitos outros.
Cada
um está no caminho certo porque todas as experiências de vida são
indispensáveis para iluminar o caminho da evolução. Como é que eu
vou saber se o caminho está errado se eu não o experimentei? Como é
que eu vou conhecer dor de queimadura se eu nunca me queimei? Ninguém
conhece o Destino. Cada um tem o seu e vai conhecê-lo no seu devido
tempo. Eu continuo afirmando que eu tenho a minha "verdade"
e você a sua. Eu não pretendo convencer você, nem você a mim. Mas
neste diálogo, se estivermos com a mente e o coração abertos,
teremos proveito mútuo.
Ocorre
que na nossa vida diária, tudo é direcionado para reforçar o
"ego". O mundo em que vivemos é o mundo do "ego",
inclusive o das igrejas organizadas. Se alguém entra em crise
existencial, qual é a técnica das terapias? Reforçar o "ego".
Porisso tornar-se um "indivíduo", um "eu-mesmo"
é algo tão difícil.
Nós
precisamos tornar-nos mestres. Este é o grande desafio. Não há
outra saída. "Segundo Gurdjieff, do ponto de vista da evolução
que nos é permitida, vivemos num lugar que tem uma posição muito
inferior no universo. Por causa da extrema densidade das leis
mecânicas que operam em nosso planeta, a auto-realização oferece
dificuldades quase máximas, de modo que, embora os seres humanos
sejam distinguidos com o potencial para elevar o nível do seu ser, é
muito tênue a probabilidade que tem qualquer indivíduo de ser bem
sucedido nessa realização. Por causa dos fatores que operam contra
todos nós, o indivíduo pode ter certeza de que seu desenvolvimento
interior não será fácil; ao contrario, exigirá grande compreensão
e trabalho hábil, e este trabalho só pode ter início quando
percebemos a verdade acerca da condição humana." Sem uma
profunda crise existencial, não é possível evoluir. Se a minha
vida é um "mar de rosas" eu vou é "curtir".
Enquanto o "ego" não entrar em crise pelo seu egoísmo
exacerbado, ele não vai procurar saídas. Porque procuraria? Não
podemos concentrar-nos num único sábio, porque cada um deles mostra
um caminho e como nós temos um caminho próprio devemos adaptar os
seus ensinamentos à nossa realidade (por isso relacionei os que eu
conheço). Temos que tomar cuidado porque os discípulos muitas vezes
distorcem os seus ensinamentos. Jesus é um caso típico, porque ele
não deixou nada escrito. Então muito cuidado. Já dizia Kant que o
saber se adquire pela experiência. Não pretendo convencê-lo de
nada pois estaria sendo egoísta. Mas, repetindo, podemos aprender
muito se estivermos com o coração e a mente abertos. Afinal cada um
tem a "sua "verdade.
O
"egoísmo" é um aspecto do "eu". Este somente
vai desaparecer com a morte física. O reforço do "ego"
para superar o "egoísmo" tem uma função importante
porque o egoísmo somente é percebido quando o "ego"
atinge seu ponto máximo, julga-se o centro do universo, e entra em
crise. O "ego" inflado (egoísmo) entra em crise quando
perde a sustentação da realidade que o cerca. Ao perceber que já
não pode tudo e todos os "egos" à sua volta já não o
bajulam mais; quando a sua arrogância já não encontra o seu
oposto, a servilismo; quando o seu autoritarismo já não encontra
subserviência; quando a sua sapiência já não encontro ignorantes
e quando a sua esperteza já não encontra trouxas, ele começa a
desabar. É nesta crise que nós o identificamos. Esta experiência
alguns chamam de "morte do ego", mas que na verdade é
apenas um "golpe de estado" para que ele ocupe uma posição
de harmonia na personalidade.
"O
que é evolução? É o desenvolvimento progressivo de uma idéia? A
transformação progressiva das espécies? Me parece que tanto num
sentido como no outro a evolução é o desenvolvimento progressivo
de algo que já existe potencialmente na sua origem. Na evolução,
nada de novo é agregado..." escrevi este texto num outro "news"
há algum tempo e parece ser o que você também pensa. A frase de
Jack Hawley sintetiza magnificamente esta nossa posição: "Nós
já somos aquilo que buscamos. A vida é questão de ser o que somos,
e não de tentarmos nos tornar." O egoísmo é uma desarmonia,
um desequilíbrio, um desajustes entre os três sistemas (id, ego e
super-ego) de motivação e ação definidos por Freud e que compõe
a personalidade, o verdadeiro "eu". "Ser alguém na
vida" é encontrar o equilíbrio entre a "mente" e o
"coração", entre as energias masculinas e femininas,
entre as necessidades do corpo e do espírito. Este equilíbrio
representa o verdadeiro "eu", o "eu-mesmo", o
"indivíduo". Para atingirmos este equilíbrio é que
precisamos desse processo de autoconhecimento.
Você
dá-lhe o nome de Anseio, esta energia, esta força que brota do
fundo da alma (psique) e que vai nascendo e se desenvolvendo
proporcionalmente ao definhamento e morte do egoísmo. Este Anseio eu
o chamo de verdadeiro "eu", em oposição ao eu-egoísta:
máscara ("persona") moldada pela educação moral e
religiosa que tem origens genéticas e que foi aperfeiçoado durante
a vida. Expelir, jogar fora todo este lixo (pecado, perdão, culpa,
castigo, recompensa e condicionamentos psicológicos) é uma catarse.
É um processo natural que independe da vontade. Você tem razão. O
eu-egoísta "não pode explicar este processo, pelo contrário,
este Anseio é sua ruína e, por outro lado, causa da verdadeira
harmonia." A auto-supressão da moral é o retorno ao estado de
inocência.
“EU”,
“AUTORIDADE” E EVOLUÇÃO
A
comunicação é uma tarefa difícil (já escrevi sobre isto neste
fórum) . Cada um tem a sua realidade e as suas “verdades” . O
“eu”, inflado ou não, é uma barreira mental para a comunicação
do novo. Na pessoa comum a segurança psicológica está apoiada em
valores que são suas “autoridades”: a Bíblia ou outros livros
sagrados; autoridades religiosas; “sábios” de quaisquer
correntes filosóficas; na experiência individual “cristalizada”
e na experiência da “maioria” do seu grupo social (o “eu”
está sempre com a maioria). Esta segurança dá prazer, satisfação.
Os “eus” apoiam-se mutuamente. É a solidariedade de grupo. O
grupo realiza-se através de uma crença e culturas comuns. Todos
nós somos movidos pelo “eu”. Ele pode ser dominado pelo egoísmo,
altruísmo, cristianismo, comunismo, budismo, nazismo, judaísmo,
etc. Quem é o “eu”? Quem “sou eu”? O “eu” (“eu-mesmo”)
não vai ser conhecido através de uma definição intelectual, seja
religiosa ou psicológica. Conhecer o “eu”, significa conhecer-se
a si mesmo, o que é impossível apenas pelo intelecto. Na mensagem
“Ser alguém na Vida” relacionei alguns pontos que são
essenciais para o autoconhecimento. É um trabalho individual que
demanda muito tempo. É um despertar para uma nova realidade. Esta
nova realidade é o mundo interior. Não é fé, não é crença. É
um sentir. É consciência. (Se ele é mortal ou imortal eu não
sei).
Observo
a dificuldade em me comunicar porque a maioria das pessoas vêm para
os fóruns e grupos de notícias para ensinar ou, então, para
refutar idéias na base do “concordo” ou “discordo”,
apoiados em suas “autoridades”. Ainda não encontrei alguém que
tenha exposto as suas idéias baseadas no “coração”, no sentir,
livre de todas as “autoridades” que também chamamos de
condicionamentos psicológicos. Alguns quando não tem argumentos
para contestar, usam o anonimato para agressões pessoais, quando
desnudam o seu “eu” inflado (egoísmo) que divide tudo entre o
certo e o errado e, logicamente, sempre se consideram certos. Somente
cresceremos espiritualmente quando conseguirmos participar de debates
com a mente e o coração abertos, isto é, como aprendizes. Deixando
as “autoridades” de lado, estes debates promoverão a ampliação
da consciência. Isto é demorado.
O
“egoísmo” foi construído por todas as gerações passadas
(herança genética) e aperfeiçoado durante toda a vida. Percebê-lo,
porisso, é muito difícil e leva muito tempo. Nestes nossos debates
o “egoísta” somente vê egoísmo nos outros. Ele projeta
inconscientemente o seu egoísmo e o outro o “reflete”. Porisso
eu preciso do outro para me conhecer. Se eu desenvolvi a “técnica”
e estou consciente disso, eu aprendo a conhecer os meus defeitos
através do outro. Se não, eu somente vejo os defeitos no outro.
Quando afirmo que o outro é ignorante, egoísta, safado,
irresponsável, etc.: eu estou projetando no outro tudo aquilo que eu
sou. Isto, entretanto, não quer dizer que somente eu tenho defeitos.
Eu identifico os meus no outro.
O
homem somente evolui pelo autoconhecimento e para isto precisa do
outro. E não somente isto. É necessário muito esforço, dedicação,
estudos e pesquisas. Somente seremos “alguém” na vida quando
conseguirmos equilibrar, harmonizar as energias da mente e do coração
pelo autoconhecimento.
Eu
também pertenci ao rebanho, tive as minhas “autoridades”. Eu
teria sido capaz de sacrificar a minha vida pela fé e pelos meus
ideais cristãos. Eu tenho esta experiência.
Somente
a experiência nos torna sábios e o aprendizado é infinito. Mas
para isto precisamos estar com a mente e o coração abertos. A
experiência “cristalizada” é bastante comum, não somente em
pessoas que passaram da meia-idade. Ela identifica-se com a pessoa
que se imobilizou no tempo e no espaço. É aquela pessoa que tem
certeza de que se conduz corretamente através da vida, e que tem
ideais e princípios corretos. Está certa de que estas convicções
pessoais devem ter aplicação geral. A rigidez de idéias com
referência a si mesma e aos outros, e a tendência a encará-las
como incontestáveis, apesar de todo o processo evolutivo do
universo, leva-a a um padrão quase inflexível de pensamento e
comportamento. Esta pessoa até tolera outras opiniões, mas
considera-se o senhor da verdade. É uma pessoa coerente. Aplaudida
pela massa (que o digam os políticos de plantão).
A
evolução em grupo, em massa, coletivamente é uma etapa do caminho.
Uma etapa muito fácil se comparada com a seguinte. Esta é solitária
e nela haverá saudades daquele tempo de rebanho em que tudo era tão
fácil: bastava seguir o grupo e a “autoridade”. Mas como diz a
própria Bíblia: “tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para
todo propósito debaixo do céu”.
VERDADES,
CAMINHOS
Busca-se
a Verdade, a Verdade Absoluta, mas o ser humano, pelas suas
limitações, é incapaz de compreendê-la. O que todas as igrejas,
credos, livros sagrados e sábios de todos os tempos apresentaram e
apresentam são semiverdades. Somente existem semiverdades. Cada
pessoa tem a "sua verdade", que é uma semiverdade. A minha
postura perante este paradoxo é libertar-me de todos os
condicionamentos . Preciso jogar fora todo o lixo que acumulei
(incluindo a herança genética) durante toda a minha vida e
preencher o meu mundo interior, o meu reino, com a “minha”
verdade que é real porque fruto da minha experiência. A “minha”
verdade está em expansão. A de ontem, é diferente da de hoje, que
será diferente amanhã. Afirma Pietro Ubaldi: "... da verdade
se obtém um conceito novo: de que ela é algo de não codificado nem
codificável, mas infinito, para cuja aproximação é imperioso
trabalhar e sofrer a cada dia. Concebe-se, desta maneira, a verdade,
não mais como um cômodo assento em que nos refestelamos para
repousar, como o fizeram os nossos ancestrais, mas como uma íngreme
ladeira que importa galgar com a própria vontade."
Então,
me caro Abdu, a minha posição é esta: você pode seguir os
ensinamentos de qualquer religião, ou mesmo ser ateu, agnóstico,
etc. mas mantenha a mente e o coração abertos ao novo, porque a
evolução do universo é real.
Para
concluir:
“Toda
civilização e toda cultura nascem das raízes do individualismo
criativo. Não foi a sociedade, mas um indivíduo quem primeiro tirou
fogo de uma pedra. ... Só o indivíduo pode pensar e, pensando,
criar novos valores para o mundo. Só o indivíduo pode estabelecer
novos padrões morais que mostram o caminho para as gerações
futuras. Sem personalidades decisivas pensando e criando de forma
independente, o progresso humano é inconcebível.” (Albert
Einstein, publicado em “Liberty Magazine/BP Singer Features”,
USA,1933).
DEUS
ESTÁ MORTO!
Esoterismo
diz-se da doutrina secreta que só se revelava aos iniciados, em
oposição a exoterismo, qualificativo dada àquela ensinada
publicamente pelos
antigos filósofos. Nesse sentido, podemos
afirmar que todos os livros sagrados são esotéricos, inclusive a
Bíblia, porque exigem um conhecimento profundo para permitir a sua
interpretação. Os textos da Bíblia somente tornaram-se populares
com a sua tradução, inicialmente para o alemão, feita por Martinho
Lutero e a invenção da imprensa por Gutenberg, ambas no século
XVI.
Iniciados
são os neófitos de qualquer seita ou ordem. A iniciação
representa o recebimento das primeiras noções básicas da doutrina
desconhecida. Esses conhecimentos são transmitidos, aos poucos,
pelos Mestres de acordo com o desenvolvimento do iniciado. Mestre é
aquele que ultrapassou, aquele que
está além do mundo do ego e
que ingressou no mundo do Espírito. E estes são raros.
A
disseminação do texto bíblico tornou-se tão popular que qualquer
pessoa pode ter o seu exemplar. As interpretações tornaram-se
literais e o
conhecimento esotérico ficou restrito a poucos. Os
Mestres são raros como sempre o foram e são eles que tem a
percepção das verdades universais que
são comuns a todas as
religiões. Os símbolos da Igreja e os textos bíblicos são códigos
que necessitam ser apreendidos em toda a sua complexidade e em
todo
o seu verdadeiro significado. Ao fixar-se em códigos morais as
igrejas cristãs afastaram-se do verdadeiro significado da religião.
A Moral serve
apenas como uma norma para o exercício do poder e
nada mais.
O
homem intelectual, ególatra, jamais compreenderá o verdadeiro
significado da doutrina cristã porque ela está além da razão e da
lógica. A
interpretação dos textos dadas por sacerdotes e
leigos, em sua maioria absoluta, não tem qualquer semelhança com o
seu verdadeiro significado. Nem
o significado do seu símbolo
maior, a Cruz, eles são capazes de compreender. A Igreja se
intelectualizou e desviou-se totalmente do verdadeiro sentido da
sua
doutrina. Nietzsche estava e continua absolutamente certo; Deus está
morto! Sim, o Deus das igrejas que se dizem, mas não tem nada de
cristãs, está morto.
INTERPRETAÇÃO
DOS EVANGELHOS
A
tão propalada concepção "sem pecado original", isto é,
sem sexo, é algo que permeia toda a doutrina da igreja católica.
Virgem imaculada, como se o sexo fosse uma mácula, uma mancha, fosse
algo sujo e impuro. A não aceitação de Jesus como um homem de
carne e osso que somente superou a sua condição humana inconsciente
após renascer pelo Espírito, é um dos grandes entraves para o
conhecimento da verdadeira mensagem de Jesus. O nascimento do Cristo
é um processo espiritual e o dogma da Virgem Maria torna-se, neste
caso, algo supérfluo.
A
paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus representam
a morte do ego, acompanhada de intenso sofrimento, e a ressurreição,
o renascimento pelo Espírito. Esta é uma experiência individual.
Cada ser humano ao passar para o mundo do ser, do espírito sofrerá
a sua paixão e morte para que renasça pelo espírito.
A
cruz, cujo modelo básico é sempre a intersecção de dois segmentos
retos, um vertical e outro horizontal, representa a conjunção dos
opostos: o eixo vertical (masculino) com o eixo horizontal
(feminino); o positivo com o negativo; o homem com a mulher; o
superior com o inferior; o tempo com o espaço; o ativo com o
passivo; o sol com a lua; a vida com a morte; etc. A união dos
opostos é a idéia central contida na simbologia da crucificação
de Cristo, e a razão pela qual a cruz foi escolhida como emblema
magno do cristianismo. A união dos opostos é a autotransformação,
a individuação, o renascimento.
Os
peixes tem um simbolismo complexo que representa a fecundidade (por
sua abundância de ovos) e também um sentido fálico. Num sentido
psicológico profundo são considerados criaturas do inconsciente.
Ele é o símbolo do cristianismo primitivo porque representa a vida
profunda, o mundo espiritual que existe sob o mundo das aparências e
a força da vida em seu perpétuo movimento de elevação. Sempre que
nos evangelhos aparecem peixes devemos direcionar a interpretação
nesse sentido.
Por
enquanto, restrinjo-me, as essas passagens que considero básicas
para entender os Evangelhos.
IN
NOMINE DEI
Acabo
de ler "In Nomine Dei" de José Saramago, peça de teatro
escrita em 1993, dois anos após "O Evangelho de Jesus Cristo".
São dois livros indispensáveis a qualquer pessoa que estude a
doutrina cristã. Às vezes me surpreendo com o ódio e o preconceito
que muitas pessoas, principalmente católicos, devotam ao autor. Na
verdade, a fé cega, cria uma barreira mental e afetiva. A pessoa
torna-se impermeável, rejeita a priori, tudo o que vai contra a sua
verdade. É uma autolimitação difícil de explicar porque
irracional.
O
nível de consciência é um referencial entre os seres humanos
independentemente do seu nível intelectual. Não são os títulos de
graduação, pós-graduação, PhD ou Doutor "honoris causa"
que conferem consciência de vida. A ampliação da consciência é
promovida pela natureza, pela lei da evolução. Manifesta-se como
uma necessidade interior. É um processo em que há a transferência
de conteúdos inconscientes para a consciência. No inconsciente
estão guardados todos os segredos e todos os mistérios do universo.
Com a ampliação da consciência são "iluminados"
conteúdos inconscientes e chega-se ao que podemos chamar de fé
consciente que é um saber, uma "iluminação".
A
fé cega e o preconceito estão nas etapas iniciais da evolução. A
fé consciente irá mostrar que o homem inconsciente tem apenas uma
visão ilusória da realidade.
NASCIMENTOO
DO CRISTO
CONCEBIDO
SEM PECADO ORIGINAL
Todos
os livros e doutrinas religiosas devem ser analisados e interpretados
num sentido espiritual. Não podemos analisá-los sob a perspectiva
do ego cuja consciência está no plano material. A concepção
divina
e a virgindade da mãe devem ser analisados e partir daquela
perspectiva. Deve-se observar ainda que de acordo com esta análise,
a virgindade da mãe não é lesada nem pela concepção, nem pelo
parto.
Quem
é o Cristo, o Filho, o Ungido de Deus? Quem são os Mensageiros
Divinos? E os Messias (Avatares)? Todos estes nomes podem ser
resumidos em "Cristo, o Filho de Deus". Todos os Avatares,
Messias, Mensageiros Divinos, Cristos e Iluminados foram e são seres
humanos, filhos de uma mulher e de um varão, concebidos e nascidos
como qualquer outro humano. O homem, desde a concepção tem um corpo
físico e um corpo imaterial com toda as suas funções
potencialmente disponíveis. A energia e o corpo formam uma unidade
interdependente.
A
personalidade em suas motivações e ações divide-se em id, ego
("eu") e superego (Freud). No id estão as forças
profundas, naturais e involuntárias
que governam a vida; o "eu"
é o centro da consciência e o superego a sua consciência moral
construída pela interação com o meio e a educação. No id
localiza-se, também, a "centelha divina", a parcela da
inteligência
cósmica, o "Cristo", energia adormecida
no inconsciente humano que espera a oportunidade, a hora e as
condições favoráveis para manifestar-se.
Revela-se como uma
ânsia de liberdade que vai crescendo e sobre o qual o ego (superego)
não tem poderes porque é instintiva, e foge portanto, ao
seu
controle. Neste processo longo e doloroso o ego será
destruído e nascerá um novo ser humano dominado pelo espírito, o
Cristo, o Mestre, o homem
Iluminado. Ele nasce da alma humana,
concebido pelo poder Divino, por ser uma centelha Dele, cuja
virgindade não é lesada nem pela concepção, nem pelo parto. O
Cristo nascido da alma uniu os opostos, positivo e negativo,
masculino e feminino, consciente e inconsciente, racional e
intuitivo, o céu e a terra. Ele é filho de Deus - Complexio
Oppositorum.
Este
é o nascimento imaculado de um Mestre, de um Avatar, de um Messias,
de um Iluminado, do Cristo, o Filho de Deus.
MÃOS
UNIDAS EM PRECE
As
mãos unidas em prece procuram ativar a ligação entre os pólos
energéticos do ser humano: esquerdo e direito, positivo e negativo,
masculino e
feminino, consciente e inconsciente, racional e
intuitivo. As mãos unidas em prece simbolizam a busca do equilíbrio
entre os opostos e é o que há de mais significativo na vida. Os
opostos, harmonizados, se neutralizam, constituindo a Unidade. Esta
Unidade é o ponto energético, o "eu" que vibra dentro do
Espírito Universal. Assim como o símbolo da cruz, as mãos unidas
em prece representam a união dos opostos, a harmonia e a unidade que
somente acontecerá com a auto-supressão da consciência moral. A
natureza não tem pressa. Tudo tem o
seu tempo
ANEXO
PAIXÃO
DA ALMA
(Neurose)
Para
que os ramos de uma árvore cheguem ao céu, as suas raízes devem
chegar ao inferno. (Máxima
alquímica Medieval).
Ponto
de vista 1:
Neurose
é o transtorno psíquico que não se faz acompanhar de grave
desintegração da personalidade. Refere-se ao tipo da adaptação
que uma pessoa realiza a certas situações, às quais
inconscientemente atribui a capacidade de gerar inquietação e
ansiedade. O tipo de adaptação constitui a natureza da neurose. A
causa é de ordinário a existência, dentro da pessoa, de um
conflito emocional, desejos contraditórios, em geral de natureza
muito complexa.
As
emoções são impulsos para o agir, planos instantâneos para lidar
com a vida. Os estados emocionais que tipificam a nossa vida
emocional decorrem da loteria genética, vão da ousadia à timidez.
Pessoas de temperamento agressivo presumem a ameaça e partem para a
ação. Desafiam as regras, tornam-se rejeitados pelos colegas, podem
chegar em casos extremos às drogas e à delinqüência. Os
deprimidos apresentam dificuldades no relacionamento e para reagir às
derrotas da vida. A emoção abafada resulta em embotamento,
distância. A emoção extremada reverte-se em depressão, ansiedade.
A
angústia é, de fato, o fenômeno básico da neurose. A angústia ou
ansiedade é a tensa, desagradável e absorvente expectativa
fisiopsíquica de um perigo iminente, cuja fonte é imaginária,
desconhecida ou exageradamente avaliada. É o medo vago, sem causa,
indefinível, que parece vir "de dentro da alma". Há
gradações, da simples intranqüilidade até a angústia terrível e
catastrófica. Os sintomas específicos (angústia, fobias,
obsessões, conversões e certas inibições - a impotência sexual,
p. ex.). e os acessórios (depressão, hipocondria, irritabilidade,
insônia, dores de cabeça, vertigens, taquicardia ou prisão de
ventre, dores e espasmos em qualquer parte do corpo, tremores,
paralisias, cegueira, convulsões, etc.) se mesclam, em cada caso,
sob proporções variáveis, bastante individualizadas. A neurastenia
se caracteriza, entre outras manifestações, por dor de cabeça,
tonteiras, insônia, irritabilidade, hipocondria, astenia ou cansaço
fácil, intolerância aos ruídos, impotência.
É
um ciclo vicioso que passa as dificuldades de geração em geração,
mesmo que elas mudem de forma.
***
Ponto
de vista 2:
O
encontro com o inconsciente é determinado pelo destino; o homem
natural nem suspeita sua existência até que um dia se vê
mergulhado nele. É um processo psíquico por excelência. O objetivo
essencial é o desenvolvimento da consciência, isto é, em primeiro
lugar a tomada de consciência dos conteúdos até então projetados.
Este esforço leva pouco a pouco ao conhecimento do outro, bem como
ao conhecimento de si e assim, a distinguir o que a pessoa é na
realidade daquilo que nela é projetado ou que ela fantasia a seu
respeito. Neste processo estamos tão empenhados em nosso próprio
esforço, que mal percebemos a que ponto a natureza nos impele e nos
ajuda: em outras palavras, mal percebemos o quanto o instinto está
interessado em atingir esse nível superior de consciência.” Esse
impulso em direção a uma consciência superior e mais ampla tem o
objetivo de reconstituir o ser humano na sua totalidade, unificando o
masculino e o feminino, o eu consciente e o inconsciente, “ou seja,
compor aquele homem primordial, bissexuado, que se basta a si mesmo.”
É dentro de si mesmo que ele vai buscar compor e encontrar a sua
totalidade.
A
união do consciente ou da personalidade do eu (masculino ou
feminino) com o inconsciente personificado pela anima (feminino ou
masculino) gera uma nova personalidade que compreende esses dois
componentes; a nova personalidade não é, de forma alguma, um
terceiro termo entre o consciente e o inconsciente, ela é os dois.
Ela transcende a consciência e por esta razão já não deve ser
definida como eu, mas sim como si-mesmo.
A
integração do si-mesmo é, no fundo, um problema da segunda metade
da vida e acontece quando o inconsciente invade a consciência,
inundando-a com os seus arquétipos (Jung).
Ponto
de vista 3:
O
sofrimento é resultante da escolha. A escolha é a satisfação de
um desejo, de uma vontade, é produto da mente e não do sentir. A
mente deve agir em consonância com o sentir. Somos infelizes por
termos permitido que a mente separe os nossos objetivos do nosso fim
último. Deste modo, somos arrastados para bem longe pela ação dos
meios. A morte autêntica acontece quando cessam todas as nossas
ilusões, quando deixamos de viver num mundo de expectativas,
emoções, idéias, hábitos, passado e futuro. Então, encontramos a
paz. São inúteis as idéias e intenções de transformar, pois só
geram sofrimento. Ao libertarmo-nos da longa fixação dos nossos
hábitos não seguimos nem obedecemos a nenhum destino fixo; passamos
a aceitar plenamente tudo o que as nossas vidas nos trouxerem como
frutos da verdadeira liberdade. Toda a infelicidade, todo o
sofrimento e todas as poluições provêm da nossa mente.( (Hôgen)
“Em
todo homem pulsa o movimento que procede do Tao e tende a levá-lo de
volta a ele. Mas o homem se deixa cegar pelos sentidos e pelos
desejos. É ele próprio que busca a volúpia, a alegria, o ódio, a
fama e as riquezas. Seus movimentos buscam a violência e
desencadeiam tempestades, seu ritmo é uma ascensão impetuosa
seguida de uma queda brusca e vertical. Desesperado ele se apega a
tudo o que é irreal. A natureza de seus desejos o conduz à
multiplicidade, de tal modo que ele não consegue mais
sequer conceber o Único. E quando deseja a sabedoria e a bondade, é
uma catástrofe ainda pior. Não resta senão um remédio: voltar à
Origem, ao Repouso, ao Tao (Lao Tse).
Bibliografia:
-
ARROYO, Stephen - Astrologia, Karma e Transformação - Publicações
Europa-América Lda. - Portugal
-
JUNG, Carl Gustav - OBRAS COMPLETAS DE C. G. JUNG - Ed. Vozes,
Petrópolis, 1987.
-
KHRISNAMURTI, Jiddu - "Paz no Coração"- Ediouro; "A
Libertação dos Condicionamentos" e "Como Viver Neste
Mundo"- Instituição Cultural Krishnamurti - Rio de Janeiro.
-
UBALDI, Pietro - http://www.wm.com.br/~simoes/
pietro.htm
-
RAJNEESH, Bhagwan Shree - Tantra - Sexo e Espiritualidade - Ed. ÁGORA
Ltda. - São Paulo.
-
ROHDEN, Huberto, in TAO TE KING - O Livro que Revela Deus - A Voz do
Silêncio - Lúcifer e Logos - O Caminho da Felicidade - Filosofia
Cósmica do Evangelho - Ed. Alvorada - São Paulo.
-
RUDHYAR, Dane - Tríptico Astrológico - Ed. Pensamento - São
Paulo, 1987.
Comentários
Postar um comentário